sábado, 21 de julho de 2012

LXXX - UNIVERSO



Imagem: sistermoon.art


UNIVERSO

Perdido pelo tempo inexorável
No estorvo do porquê de uma recusa
Um fato bebe à luz em mim saudável
Inibindo a tristeza que me cruza!

Que sobre o mundo segue irrefreável
Qual sorte que se vai, achou-se intrusa
Ideia arquitetada no improvável
Mas sou o simbolismo que a conduza...

Encantamento feito a preencher
Etapa essencial que primavera
Nas fases das amostras do teu ser!

Que a vida só espera acontecer
A quem a viva como a uma quimera
No brilho apaixonado do prazer...

Miguel Eduardo Gonçalves

LXXIX - ALQUIMIA





imagem: sistermoon.art


Cintilando sonhos os sentidos
Conflitos guardados pelas pálpebras

Na hora exilada da memória
Desnudando um gênio oportunista...

O corpo ficara abandonado:
Devesse ele ser fantasioso
Distinto da mente entorpecida!

E assim divagando em coloridos
Sou eu me sentindo pelas quebras
Que esbarro nas asas dessa história
Calma solidão mais folclorista!

Alucinação que faz o estado:
Ao zumbir do tempo temeroso
A fatalidade de uma vida!

(
Miguel Eduardo Gonçalves)

sábado, 7 de julho de 2012

LXXVIII - SOLAR


Em sonho multipartido
Aparência que me alerta
Por amor intrometido
Essa verdade encoberta

É desejo que desperta
Está em qualquer sentido
Pois pensa uma descoberta
Na beleza que presido

Nossos corpos, universos
 Como estrelas em passeio
Movimentam-se dispersos

Focado zelo em que anseio
Pela força destes versos
Nosso ego em devaneio

(MEG)

domingo, 10 de junho de 2012

LXXVII - INSINUANTE...


Para o capricho pleno fecundar
Como clareia a lua a noite escura
Desponta verdadeiro desnudar

Certo aroma escondido na candura
Debanda a timidez pela aventura
Desperta gula faz-se num olhar
Enquanto chama dure essa loucura
No ardente sobressalto a desfolhar

Tanto agradece aos bis que até se ri
Beijo guloso em lábios tem morada
São pétalas bailando em frenesi

Vontade tropical apaixonada
Que enlaça corpo e língua, e nem aí
Resolve a coisa de uma talagada

Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 2 de junho de 2012

LXXVI - PAIXÃO (II)

Quando o sol estiver a pino regulado
E for um abraçar maior que pegue o mundo
O tempo será claro, azul, arregalado
Vestido só de céu, como um olhar profundo.
Já nós seremos fogo ao vento persistente
Quando o desejo seja o anseio percebido
E o mundo inteiro tal esse calor da gente
Exultante paixão, dela a fazer-se ungido.
Sem artifício algum, prazer tão aclamado           
Em desejoso sexo o tempo dure e aja
E fato, submetendo, há de ser refinado
O próprio ato em si, por tanto que encoraja.

Que essa verdade humana atente com veemência
Pois, verdadeiramente, ativa a saliência!


(Miguel Eduardo Gonçalves)

LXXV - RARA BELEZA


Florescendo da moça estonteante
Farto encanto por que se aparecia
Apelante desejo em sintonia
Frenesi com poder narcotizante.

Do verão a umidade reticente
Nesse mar da miragem sem igual
Convincente manchete, de atual
Que maduro esse fruto me consente.

Inda mais, que dos bicos um segredo
Latejando aos olhares sucessivos
Adivinha meus atos convulsivos...

Ornamentos em gestos, um brinquedo
Pensa amante, constrói-se nesse enredo
Mansamente explodindo nos sentidos!  

(Miguel Eduardo Gonçalves)

LXXIV - MAESTRO (II)

LXXIV - MAESTRO II  

Sou a batuta que me tem
Pois sei que nela existe vida
Na harmonia daqui e além
Dando aos acordes a investida.

Essa, que entre as coisas mais raras
O tom oferece aos sentidos
E os deslumbra com suas aparas
Senões a domar os ouvidos.

Diante de mim, como um feitiço
Aos olhos inflamam-se as cores
Ponteio intervalos, por isso

Como luz que harmoniza amores               
Em meu coração aterrisso...
Esse meu sol com seus valores!
(Miguel Eduardo Gonçalves)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

LXXIII - VISLUMBRE

Quanto sutis se querem tais momentos...
Vêm do erotismo pleno se mostrando
Teus lábios dos sabores tão sedentos
Por mim cumprindo a saga em que me expando!

Caminhos que me avivam sentimentos...
Capricho que se chega inebriando
De uma cintura feita aos movimentos
Troféu que não demora a meu comando!

Qual força afina-se, nomeia o ato
Que frenesi do ânimo se torna
Em noite que incandesce e apura o fato?

Inexplicável templo achado exato
Sob o vestido enleio que o adorna
E aos poucos abandona o anonimato.

Miguel Eduardo Gonçalves

LXXII - Elixir de sonho bom


No jardim dos pensamentos
A vontade da promessa
Dá comando aos sentimentos
De fazer suar à beça...
Lá se formam bons momentos
Sensações disparam pressa
Pelos corpos mais sedentos
Em que a ânsia recomeça
Pra deleite da visão
Rebolante luz de velas
A pôr fogo na ilusão
Desfazendo-se em quimeras
Tal como ondas de um marzão
Pelo estar no meio delas!

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 9 de maio de 2012

LXXI - Licença à Palavra

Para ficar no estrito necessário
E ao pé da letra o instante indiferente
Neste soneto apenas um sumário
Do que me diz a alma certamente

E disso o estar ciente, por hilário
Ao céu da minha obra é silente
Não diz respeito a ela um anuário
Que sobre mim exponha o evidente

As letras são amigas da emoção
Dos sonhos cores, não suas conclusões
E a um poema é como elas se dão

Poema que transvasa mil senões
Não é recado nem é discussão
Tão só contempla alvos de afeições

Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 8 de maio de 2012

LXX - ÁGUA (criação coletiva)

Água

H20 é água, água só.                                   p 
Vital à vida e a vida a tem sem sobra...         r
Mas há no desperdício, de dar dó                m
um mal que é incontido, triste obra...            r 

Mais vale em sortilégio, e muito pró             m
sonhar, sim, com o futuro que desdobra       r
a natureza em vida do seu pó                       m
o mesmo que por pouco não soçobra.         r 

O amanhã, que não chora nem sorri             m
fará lembrar que a água é um tesouro          r
insofismável mãe de lá e daqui!                    m

O seu valor excede muito ao ouro               r
é o equilíbrio que nas nuvens li                     m
que desça sobre nós torrente... Estouro...     r

p. Paulo Camelo, r. Ronaldo Rhusso e m. Miguel Eduardo Gonçalves

Soneto composto em http://descansodasletras.forumeiros.com/

domingo, 6 de maio de 2012

LXIX - AUSENTA-SE DE MIM CERTA DISTÂNCIA

Ausenta-se de mim certa distância
Colado sinto à pele o que há na mente
O mundo eternizado numa ânsia
Tão como te expõe a mim pra sempre

Pois pensa uma ansiedade, que ciente
De que se guia farta de elegância
Estreita o nosso espaço e nos consente
Na cama que faísca na abundância

Fragrância que por fim a tudo cala
Na forma que o instante eriça os pelos
Na cena que sublima a nossa gala

Paixão que é do furor por seus modelos
-Como porta-bandeira e mestre-sala-
Tão dada inteiramente por desvelos

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 25 de abril de 2012

LXVIII - SEQUESTRO DE MENTES

SEQUESTRO DE MENTES

A vida mostra aqui, não mostra lá
O que diante dela se vislumbra
E não desaparece pelo ar
Se não acreditamos que retumba

Atores, num tablado em tafetá
Tecido, exibem prova que deslumbra
Cingindo em maravilhas o altar
De uma crença, tolice que os incumba

Abracadabra em passe de um ser nulo
A ignorância preenche, que bajula
Quem cegamente crê em caricatura

Uma 'virgem qualquer' é seu casulo
Sensação que o ilumina como cura
Lavagem cerebral que inspira e adula

Miguel Eduardo Gonçalves

segunda-feira, 9 de abril de 2012

LXVII - Profundo amanhecer...

Profundo amanhecer de altivo aspecto
Daquela onipotente fresta nasce
E tudo se alvoroça e faz-se inquieto
É o fogo fortemente como esparze

Nos cobre impetuoso e circunspecto
O sol pela janela sem impasse
Explode no colchão já não secreto
De um mundo de paixões descobre o enlace

Põe luz nos movimentos que almas têm
Prodígio que faz doce a humanidade
Lambendo-lhe as carnes sem desdém

Submete cada mente e a intimidade
E à sombra de seu manto nos mantém
Com força renovada de verdade

(Miguel Eduardo Gonçalves)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

LXVI - FRENESI...

No carinho das noites estreladas
Mítico para ser todo delírio
Na seara de vozes encantadas
Timbra singelo tom como colírio

A noite está de mãos deliciadas
Tão cúmplice de nós, em prata lírio
A perpetrar nas áreas mais sagradas
Onde o prazer invade quente e frio

Cálice borbulhante de cristais
A retinir os ais inquietamente
Por suspiros letárgicos, -demais-

No frenesi dos corpos mais demente
Radiante gosto, campos siderais
Numa boca enroscada em cada ventre

Miguel Eduardo Gonçalves

domingo, 29 de janeiro de 2012

LXV - Da arte do viver...

Da arte do viver, o nascimento
Por acerto da sorte validou
Pois foi que então por mim me fiz momento
Medida que ninguém reivindicou

E o tempo assim falou, jogou-se em flores
Já sei donde advém estado igual
Estrelas lá no céu são teus amores
Teu ânimo cantado em ritual

Extremo esse querer, mas pertinaz
Areia e terra e pó nem repartidos
Efêmero que o amor o mundo faz

Edifício do bem e adolescente
Dos versos voos ligeiros pressentidos
Manchete que me fez e me consente

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

LXIV - CÉU E INFERNO...

























CÉU E INFERNO

De tanto inflar de triste sina um só engano
Tomando por cenário vivo a voz do eterno
A um tempo, meio certo e fim de que me ufano
Partido livre, como um ato meu externo
Desejo de fazer do tempo vil e estranho
A coisa arrazoada de que me governo
Porém um quê se faz no traço visto belo
Que a prova diz não ser razão ruim nem boa
Tal crença faz do sol um deus a quem apelo
Cruzar os dedos me dá sorte, me abençoa
E a pata de coelho afasta-me o flagelo   
Porque emotivo penso a ajo não à toa   

Meu Mestre ensina ser devoto a Ele e fim
É a meia noite clara feita em num jardim  
 
Miguel Eduardo Gonçalves-

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

LXIII - ESTADO NASCENTE

Desenhando a vontade na penumbra
Silhueta do ímpeto que impera
Delatam movimentos altaneiros

Na pompa da paixão que se vislumbra
Da emaranhada trama uma paquera
Transforma os corações em picadeiros

Torpor insinuante e orgiástico
Clamando à noite em ecos se contorce
Ao tempo que um sorriso cativante
Contagia a emoção já iminente

E elevam-se infinitos no fantástico
Momento em que a imagem se distorce
Por matizes de um cio aliciante
Que a sedução intenta experiente

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

LXI - EM RESUMO

A gota d´água foste da destreza
Do nosso jogo o sol maravilhado
E o que me fez e a ti também mais presa
Fez o tempo decerto estar parado

Pois me findei tranquilo e viciado
Na brincadeira feita com certeza
Onde o pecado é ato sublimado
E à negação não resta mais defesa

Frente ao desejo já tão acendido
O primitivo jeito do cortejo
Redemoinha ao léu por aferido

Que achado exato e em graça como um beijo
Em tua volúpia faz-se mia libido
Numa lição que ensina como a elejo

(Miguel Eduardo Gonçalves)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

LX - PAIXÃO

PAIXÃO

Inquietante manjar do adolescer
No carmim desse leito a amanhecer
Um prazer que se alastra tão pedinte
Para mim nada mais que teu requinte

Nesse impulso maior há de ferver
Frenesi que resume o entrever
Do jamais esgotar-se num só brinde
Noite sempre-paixão, por conseguinte

Que em teu corpo reflete-se, destila
Misturada ao titânico desejo
Corporal a luxúria na pupila

E estampando o frisson desse cortejo
Doravante a mostrar como desfila
Segue o mimo encantado por um beijo


Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 2 de agosto de 2011

LIX - DA SEDUÇÃO

Essa natureza contínua
Que lhe passeia a intimidade
Onde a sinto mulher-menina
É erotismo que persuade

Por sensações feitas do amar
Numa sonoridade tátil
Do respirar o mesmo ar
Metamorfose do versátil

A mesma lua, o mesmo chão
Relação que tanto me aviva
Mesmo desejo, igual paixão
Verdadeira e definitiva

Pois de amada pelo que é
Me faz inteiro em seu balé

Miguel Eduardo Gonçalves-

domingo, 31 de julho de 2011

LVIII - PRELIMINARES

Miguel Eduardo Gonçalves-

No desejo de querer sublimar essa paixão
De um encanto me servi para impor-te o preferível
Como fosse o meu prazer escudado na razão
Que te desse as coisas vãs como as quer o iludível

Nessa casca de verniz teu pudor vai sucumbir
E por tanto quanto hás de adorar esse meu dote
Num incêndio em gozos mil queimarás até rugir
Pela chama que jamais tu verás que em mim se esgote

Pois teus olhos que um orvalho de amor há de banhar
É também paixão maior resolvida por um bis
Do romântico erotismo entreaberto à tentação

E então viva inspiração construída de um luar
Infinito e sedutor, sutilmente então me quis
O rigor da realidade a criar a conexão

(Miguel Eduardo Gonçalves)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

LVII - REVOLUÇÃO...


















Coração imprevisível
Que bem sabe como ousar
Não sei decerto explicar
Esse jeito irrescindível
Pois só me diz vagamente
E dispersado, propaga
Aos sentidos, de repente
Como só a paixão faz prova
No consenso do volúvel
De um cenário em mutação
Nascer manifestação
Que se haja indissolúvel
E de um poderoso eflúvio
Seja em si a revolução

Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 23 de julho de 2011

LVI- Este soneto pensa...

Este soneto pensa, e ainda agora
O caos humano segue, muito embora
Se diga a voz do eterno tão clemente
E a escolha a nós pertença, de repente

Assim a vida é crença que não cora
Transforma em dogma o ser de cada hora
E o homem num qualquer subserviente
De tão apaixonado e assaz carente

A mendigar o céu, por recompensa
Que lhe faculte a vida eterna em paz
Precisa crer na Fala, qual sentença

Inabalável fé, que aliás
Não é delírio havido de nascença
Mas sim resposta fácil que lhe apraz

Miguel Eduardo Gonçalves-

LV- Bastante nos furores do "eu lírico"

De um primoroso ver aonde alcança
Em cada rima fácil o que adivinha
Dos soberanos versos que afiança
Habitarem em cada entrelinha
As cores todas próprias da festança
Na vida a natureza como aninha
A pena do poeta nessa andança
Que tanto no sentir redemoinha
Na mais indiferente solidão
Pois que o momento feito no abstrato
Acresce a cada letra uma razão
E expande-se vontade o refutado
Prazer do sangue novo da paixão
Que assim passa a valer como recado

Miguel Eduardo Gonçalves

sexta-feira, 15 de julho de 2011

LIV - A SAGA


Em seu anseio um tal prazer em flor
Foi oração de que esperou torpor
Feito apetite a dar prazer à ceia
Que balançou, lhe dilatou a veia

Porque o desejo em si foi destemor
No inevitável de querer se expor
Sutil mulher, amante de mão cheia
Fatal maneira que de lá verdeia

Em belas sedas que a vontade afaga
Porquanto o tendo inteiramente seu
Dá ocasião exata a essa paga

E frente à prenda no seu apogeu
Acende tanto, que jamais se apaga
Fazendo história numa fértil saga

Miguel Eduardo Gonçalves-

quinta-feira, 14 de julho de 2011

LIII - PRELIMINARES...


Da noite, quando a intensidade é transformada
Na força enorme e carregada de presteza
Que o luxo paire rodeando essa esbelteza
A nossa aura que se faz apaixonada

Pequena e bela maravilha ela arrecada
Ao som das cores diluindo-se princesa
Adora o néctar extraído com surpresa
Por obra e encanto de uma vasta madrugada

Porém no intento bailarino que divise
Venha em suspense e desenhando pelos ares
Aquela pose indiscutível e sem crise

Que o indício claro e insofismável dos olhares
Mais alto fala e qual desejo sem deslize
Momento acaba a incendiar preliminares

Miguel Eduardo Gonçalves-

terça-feira, 12 de julho de 2011

LII - TRUNFO

A gota d´água foste em sutileza
Beleza em raro tom maravilhado
Depois de tanta teima na defesa
Fez o teu templo ser do qual me invado

Porquanto tenha sido sorteado
O meu saber-me firme na certeza
De ser o teu pecado inacabado
Querido instante esse posto à mesa

E assim, sem mais nem menos, gotejando
Os poros, como tochas que faíscam
Exultam quanto amor a ti garanto

Pois nesses picos tantos que beliscam
Capricho ousa louco e sem tamanho
Que afagos fervem mais quando petiscam

Miguel Eduardo Gonçalves-

sexta-feira, 8 de julho de 2011

LI - DESEJO AMANTE

Cruzar contínuo de divinos ares
Longe dos males, no torpor dos mimos
Na luz dos sonhos que risonho apus
Na longa história que tanto seduz...
Teus merecidos, em sagrados traços
impetuosos como devem ser
Deixam-me louco por vaidoso estado
Posto que busco na vontade o ato!
Já nesse urgente em que me nasce a hora
Rito da alma que o amor consente
Razão se afasta, como sei que adoras...
Que em belo sexo que o apetite sente
Rende-se a regra de uma flor agora
Fugindo ao laço, que se faz ausente!


Miguel Eduardo Gonçalves-

quinta-feira, 7 de julho de 2011

L - DO SURTO

Sopro forte toando horripilante
Timbre tocando o sangue, a inconsequência
Presente em forma vã, grande insolência
Que indulta a clara inépcia num instante

E quanto faz verdade na insistência
Caos humano, febril e meliante
No rito de um monólogo lesante
Querendo fazer crer que há decência

Nesse amargor perverso como sina
Haver certeza tanta que imagina
Ser-lhe decerto a forma que não esgarça

Que possa transcender à obra divina
Nos resíduos da vida que disfarça
O que em memória esconde numa farsa
Miguel Eduardo Gonçalves-

sábado, 18 de junho de 2011

XLVIX - Este soneto...





















Este soneto brinca enquanto chora
O caos humano ergue-se, embora
O balido do eterno paz somente
Enseje a grande lida de repente

Assim a vida é fruto que respira
É palavra do mundo, não expira
Capricho de luares e de sóis
Em príncipe guerreiro entre lençóis

São miragens que vão tirar do sério
Transmitidas das taças de cristal
Num baile em frenesi transcendental

Foi por saber porquê desse alto-astral
Que o tempo então sorriu de outro hemisfério
Mostrando em sua cara tal mistério

Miguel Eduardo Gonçalves-

terça-feira, 31 de maio de 2011

XLVIII - POEIRA MARAVILHOSA


















Pelo aroma me persigo
Vem do plácido distante
Regressado em que me abrigo
Mesmo sendo o ‘meu’ mutante

O quase, em submisso instante
Abre espaço ao ‘ser’ antigo
Suspenso onde me garante
Condição de ser ‘comigo’

Para quem de si espera
O ausente enleio e disperso
O que dentro em nós se gera

Porque somos no universo
Grãos de vida na biosfera
Donde és olor imerso

Miguel Eduardo Gonçalves
31/5/11

sábado, 14 de maio de 2011

XLVII - TULIPA


















TULIPA

Tão majestosa e fina em cada esquina
Desejo em que meus olhos não vacilam
Errantes pelo corpo que alucina
Carícias tão febris que as chamas gritam

Que a pele cresta e espera suavemente
Da hora em que essas coxas são os astros
Qual velas sob luz impaciente
O vento necessário pelos mastros

Na íntegra uma vida e humanas seivas
Ao laço da gentil fusão ferrenha
Que pétalas se abram satisfeitas

E desse lábio-mel, princesa, fale
Tão forte, até que em cheiro chegue e tenha
A sílaba que espero que me cale

(Miguel Eduardo Gonçalves)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Que me deflore o êxtase de tanta entrega - XLVI























Que me deflore o êxtase de tanta entrega
Sou dança fabulosa em gestos acrobáticos
Manobra um cavalheiro enfim que esplende e cega
Teus olhos infiltrando, deixando-os estáticos

Entreabre-te rosa linda e insinuante
Por obra de uma noite e graça que sacia
Queda ao meu membro pasmo que não cessa arfante
Querendo te ordenar os planos dessa orgia

E soam loucos feito sinos magistrais
Teu corpo que meu sangue pede em euforia
E ele cravado em ti como pedi jamais

Naquele cheiro acre que jamais esfria
Entre os espaços onde tu me pegas mais
Na lida que mistura em mim a noite ao dia

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Faze teu coração meu cativeiro - XLV

















Faze teu coração meu cativeiro
Quero contigo estar sabor inteiro
Me conduzir à casa do banquete
Para eu não perecer de fome ao ver-te

Meus poros se dilatam em centelhas
De fogo são teus beijos mil abelhas
Que polinizam flores nos jardins
Como és das volúpias torvelins

Hei de exalar incenso e mirra quente
E todos os sabores corporais
Percorrerão a alcova como sais

Amazona, minh'alma é conivente
Pois me acretido estrela em mar cadente
Que teu desejo faça-me imortal

Miguel-

terça-feira, 19 de abril de 2011

XLIV - DEBUTANTE

















DEBUTANTE


Em que sutis e trêmulos momentos
Vem exótica e nua, e adolescente
Dourando a minha carne em seus alentos
Querendo o luxo inflado de contente

Caminhos por que pecam sentimentos
Em fato inexprimível e competente
Domínio de seus atos e acalentos
É intimidade toda incandescente

E realidade franca faz-se encanto
Que nesse estado meu vai se alheando
O tempo da casaca e a restrição

Pois num vestido leve esvoaçando
A força de vontade vai ao chão
No instante indiscutível do tesão


Miguel Eduardo-

sábado, 19 de março de 2011

XLIII - MATIZES DO SILÊNCIO

















MATIZES DO SILÊNCIO

Vestido de encarnado atenta o espaço
No tom profundo e casto de um bom vinho
Carinho em luz de um céu real e escasso
Pintura marchetada azul-marinho

Requinte de um ar leve traça o traço
Mistério do equinócio de um cadinho
Fusão aonde faz-se em modo lasso
Ensejo de um tufão um remoinho

Dilata-se o infinito em candeeiro
Contraste da existência c'o divino
Querendo confundir um sol brejeiro

E as nuvens como sombras que defino
São pautas da emoção de que me abeiro
Segredo impenetrável do destino

Miguel

sábado, 12 de março de 2011

XLII - TEATRO DAS FORMAS

























TEATRO DAS FORMAS

Naqueles olhos acordados como festa
O meu sentir pelo que vejo desjejua
Como se à luz de um novo esboço a visse nua
Assim desenho ela deitada, o que me cresta

Daquela dança a perna aponta para a lua
Palpita a marca umedecida pela aresta
Que entre os cabelos uma boca na floresta
Luzindo mostra-se rubor que se acentua

Sangue em delírio debruçado na visão
Treme o pincel, na tinta expele um ser ardente
Pinta os joelhos separados de paixão

Por onde corre o pensamento mais carente
E por palavras que inexplicam a razão
Flui a pintura de um poeta de repente

Miguel-

sexta-feira, 11 de março de 2011

XLI - PAVIO CURTO





















PAVIO CURTO

Se afagas, ao primeiro toque o entrego
E se a sede, que faz tamanho alarde
Logo arrebata, e mostra-se a meu ego
Então a mão discreta que não tarde

E o tempo seque a boca da saudade
Cópula que te acende e tanto mata
E morrendo, afinal será a verdade
Qual doce entrega, louca autodidata

Que desabrocha flor, rosa em botão
Natureza sutil que não renegas
Porque tua resistência vai ao chão

Por isso, mas nem só, amo teu físico
Quando a paixão ordena, é às cegas
Que o sinto inteiramente um paraíso

Miguel


segunda-feira, 7 de março de 2011

XL - VOANDO EM CINCO SENTIDOS


























Nas garras de u’a mente entorpecida
A vontade degusta e deixa às claras
Por onde toca e bebe o céu da vida
O fato por que mais te apaixonaras

Pois no prazer que o cetro dá a medida
A atmosfera mostra como encara
Certo oásis delira em acolhida
Mais doce do que açúcar demerara

E tudo é degrau que ao outro leva
A vibração que cheira a maresia
Que ondula e que retine enquanto ceva

É aquela coisa louca que extasia
Que faz sentir o corpo ser em névoa
E a mente num estado de afasia

Miguel-

domingo, 6 de março de 2011

XXXIX - SAPECA


















SAPECA

Adornada por cachos tom de festa
Reflexos, alegria irreverente
Nos cabelos silvestres de floresta

Na voz branca de sonhos, um presente
Nas palavras douradas, a seresta
Que me força a sentir subitamente

Prazer do contemplar através de
Porquanto a vejo em risos como estrelas
Inexplicáveis traços do por quê
À noite como encanta o antever

E se anda, seu dia fica a mercê
Do instante que tão bem soube fazê-la
E aviva-se o desejo, que se vê
Novamente faminto, como ela

Miguel Eduardo-

XXXVIII - DECOTE DO PENSAMENTO


















DECOTE DO PENSAMENTO

Parando para ouvir-te, vício que se alteia
E deixa pelo ar a voz em abandono
Toda a ternura própria onde o humor verdeia
Quer o mistério em mim calar qual céu de outono

Como seria o amor de que a razão é cheia
Tocando a mim brilhante, como nem sei como
A se alastrar em grácil vibração na veia
E em íntimo querer fluísse no abandono

Que força o estágio em que a vagueza faz o tom
Quisesse a sensação em débil versejar
De afeiçoada a ele esqueceria o dom

Que é trazer luxo aos beijos todos sem parar
Como na vida só acontece com a paixão
Quando tempera o verbo ser com o verbo amar

Miguel Eduardo-

domingo, 27 de fevereiro de 2011

XXXVI - CONTRASTES























CONTRASTES

É lindo o entardecer de aveludado céu
Quando vai lentamente anoitecendo o ar
Que se abandona e traz em suavidade um véu
E um sorriso divino faz-me acreditar

Intimamente sinto, mesmo assim distante
Que posso sim ser sol pra sempre iluminar
Trazer minha alegria luminosa e constante
Na certeza de enfim poder pra ti brilhar

Qual uma seiva nova sabe a coquetel
Satisfazer, desejo como o verde amar
De uma golada só em brinde o tal pitéu

Na beleza do puro rosto radiante
Tão grande enternecer se faça no encantar
De mais um casto sonho liberto e cantante


TÂNIA REGINA DE OLIVEIRA VOIGT
E MIGUEL EDUARDO GONÇALVES

domingo, 20 de fevereiro de 2011

XXXV - FENIX

















Ansioso amor se fez em cada esquina
Desejo em que meus olhos repousaram
Ficando pela hora que alucina
As carícias febris que me gritaram

E a pele cresta delicadamente
É noite em que tuas coxas são os astros
Constelação que tudo junta ao ventre
Com forças acenando de altos mastros

Entre o fascínio da discreta relva
Flor da paixão talvez fusão que cale
Singrando os ares como venta a selva

Que dos teus lábios de princesa fale
À noite única a palavra esbelta
Em cujo efeito a fêmea graça paire

Miguel Eduardo-

XXXIV - KUNDALINE

























No despertado rito dos amores
Saber de pele que o desejo afaga
Segredo é desvendado quando fores
Eterno paraíso, a madrugada...

Arrebatando a gula mil sabores
Atirem-se à ventura que me traga
A fúria do prazer por tais odores
Em contenda de lide incendiada.

Certa maneira bela a mente veste
Que ao corpo sensação desperta a vida
Na amável sedução da luz que despe...

Por si esse momento é sem saída
Resume-se a um ato inconteste
Que faz a humana seiva assim parida!

Miguel Eduardo-

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

XXXIII- AÉTICO

























Na transparência extática do mal
Templo do inconsciente reprimido
A revolta absoluta e passional
Faz teatro, repousa e tem sentido

À custa da partilha atemporal
A essência do que fora repartido
Faz do sexo por sexo um ritual
Suicídio da emoção de um pervertido

Na forma virtual do seu fazer
O concreto saber e a covardia
Mais distinguem na espécie o humano ser

Linguagem preparada que abrevia
Na pele de um cordeiro subjazer
Quem sua libido atiça à revelia

Miguel Eduardo-

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

XXXII - MAESTRO

























MAESTRO

Sou a batuta que me tem
Pois sei que nela existe vida
Na harmonia daqui e além
Dando aos acordes a investida

Esta, que entre as coisas mais raras
O belo oferece aos sentidos
E os deslumbram com suas aparas
Canções de domar os ouvidos

Diante de mim, grande feitiço
Aos olhos emprestam a chama
Místico bálsamo, por isso

É como a luz que ampara e guia
Lua cheia, sê minha efígie
Sol meu que nunca se esvazia

Miguel Eduardo

domingo, 16 de janeiro de 2011

XXXI - DA ARTE

























DA ARTE

Como um simples olhar ao léu
Numa noite claro-cristal
Foi quente sol que ardeu de ti
Necessário como previ

Emboscada que o falo incita
Desabrochou na flor proibida
E tal serpente em bote certo
Foi breve instinto a descoberto

Como pele que das carícias
Flui, de súbito retesando-se
No ávido afã das malícias

E nesse afago a solução
Despertou claríssimo apelo
Delírio da salivação

Miguel Eduardo

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

XXX - SEIVA DA ENERGIA

























SEIVA DA ENERGIA

Pupilas de fazer imaginar
Do jeito que cintilam ao luar
Que os olhos resplandecem iguarias
Parecem quentes sóis em noites frias

Lençóis que pegam fogo de alagar
Certo calor se expande pelo ar
Distante em céus imensos de euforias
Nas íris em sussurros tu vivias

E nesse haver tão grande o desejar
Pusesse o meu juízo a ser um mar
Que a falta de pudor me fartaria

Em ser quando me abraças devagar
Paixão em que te fazes suspirar
E separar as pernas da folia

Miguel Eduardo

sábado, 18 de dezembro de 2010

XXIX - MULTIFORME
























MULTIFORME

Revendo o verso quando a rima arranha
Certa noite em festim de uma façanha
Em seu poder que cada um domine
Seja a paixão disposta em magazine

E tal rigor liberto da artimanha
Possível em nua boca, a tua entranha
Num gesto que insinua e bem define
O que de mim escapa e nem previne

Nesse lugar que o ópio faz a hora
Gritando à vida em fogo impositivo
Paira capaz vontade sem demora

E dessa dança nasce o convulsivo
Incêndio que nos pega noite afora
Nos mata de o querer assim tão vivo

Miguel Eduardo-

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

XXVIII - INTIMIDADE




















INTIMIDADE

Na quente majestade do cortejo
Envolto na ventura em que desfila
O reluzir de um mimo benfazejo

Nesse beijo reflete-se, destila
Misturada ao titânico desejo
Corporal, a luxúria da pupila

E nada há mais além desse requinte
No mar de inquietas ondas do lazer
Prazer outro não há, por conseguinte
Que se possa inventar para fazer

Que a noite de paixão é o seguinte
Resume o frenesi do entorpecer
Não é um faz de conta e nem o acinte
Que negue à tentação o acontecer

Miguel Eduardo Gonçalves

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

XXVII - PAIXÃO




















PAIXÃO

Quando o sol estiver a pino regulado
E for um abraçar maior que pegue o mundo
O tempo será claro, azul, arregalado
Vestido só de céu, como um olhar profundo
Já nós seremos vento em fogo ornamental
Quando o desejo em júri seja percebido
Todo o meu será teu, esse calor vital
Exultante paixão, arbítrio todo ungido
Sem artifício algum, prazer em alto grau
Que escancarado sexo o tempo inteiro doma
E domando, o augurado gozo é a fatal
Ânsia de repartir certíssimo sintoma

Maior vício não há, atende por Paixão
Vingada em mim por não havê-la tido em vão

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

XXVI - EXATA ROSA...















Exata rosa para alguém
Seja da estirpe, essa que aprove
A sedução que me mantém

Que o tempo passa e a não demove
Rumando às cúpulas, meu bem
Nó de noves, sessenta e nove

Que vem, me pega e que abocanho
Qual fero tigre esfomeado
Perante o garbo sem tamanho
Supremo gozo coroado

E junto a ti, soneto estranho
Em cada verso aqui deitado
Digo o que quero e não me acanho
Tenho o meu sonho realizado

Miguel Eduardo-


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

XXV - PAIXÃO SORTIDA




















PAIXÃO SORTIDA


Como um olhar que acende a madrugada
Em frasco de perfume raro nada
Grande sonho que traz o bem-querer

Cenário de uma nova temporada
Verifica-se em róseo amanhecer
Externada beleza que faz crer

É a cor de cada idade o inexorável
Mas não frequenta o tempo que me fita
Pois esse se apresenta inadiável
É eterno em cada hora a ser vivida

Porque a razão do mundo é ser palpável
Como a respiração a nós visita
Assalta-nos de pronto, imutável
É hábito, é sal, paixão sortida


Miguel Eduardo-

domingo, 12 de dezembro de 2010

XXIV - ZEN

























ZEN

Sinto uma idéia a puxar-me
Ao preço grátis da vida
E povoada de charme

Linda noite a mim trazida
Sinaliza como alarme
A força do céu caída

Essa aparece pertinho
Onde se afina a matéria
Dimensão como adivinho
Penetrada em minha artéria

Imagem por que me alinho
Distante, prevista e séria
Qual sonho belo ou carinho
Sucede causando apnéia

Miguel Eduardo-


XXIII - REFÉM

























REFÉM

Como se colhesse o tempo
O tanto que o entardecer
Colore as tonalidades
Em que são as horas tuas

A resposta que contemplo
Merecesse acontecer
No silêncio das verdades
Que vagueia pelas luas

Quais cenas de primaveras
Entoando mil auroras
Descobrindo meus senões

Fundir-se-iam quimeras
Pano de fundo que adoras
Em meras recordações


Miguel Eduardo-

sábado, 11 de dezembro de 2010

XXII - GRANDE IMPÉRIO

























Por onde as horas são em desvario
Caprichos de uma estirpe dos sentidos
No espelho tremulante do arrepio
Em tesouro lacrado refletidos

E tudo vira imagem da arrelia
Que súbito prazer paixão povoa
Dilatando-se a prenhe alegoria
Tarado frenesi da concha ecoa

Prenda da grande ânsia genial
Represada na gaze do mais lindo
Rito da sensação universal

Fonte escorrendo néctar de um mistério
Onde as mucosas cheias vão florindo
Há um mar de essências puras, grande império

Miguel Eduardo-




XXI - VIAJANTE


















VIAJANTE

Perco-me em curioso pensamento
Nele sinto um perfume conhecido
Que traz uma saudade sem sentido
Lembrança causadora do momento

Agora, passo a passo esse acalento
Pintado que se fora tão morrido
Um sonho que sentisse por ter ido
Imprevisto disfarce ao sentimento

Nem sequer o prazer é um ensaio
Segredo destinado à fantasia
Da vida tempo raro onde recaio

Que todas as volúpias desse dia
Vieram das memórias de um diário
Miragens do horizonte em melodia

Miguel Eduardo-


XX - Minha mnhã de sol em brisa mágica



















Minha manhã de sol em brisa mágica
Em sua beleza ágil percorreu
De repente o frescor da boca ávida

Segundo que surgiu do nada e ateu
Foi num dado momento fé didática
E então criando vida foi-se o breu

De altas resoluções se abrilhantaram
A carne tenra, o rosto alvo e os passos
Como nuvem no céu contida é lã
Alegria esquentou sentires lassos

Cenários inflamados coroaram
Pulsantes como ecos em mil braços
Carícias que se foram num afã
De trazer à paixão nossos compassos

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

XIX - DILAÇÃO

















DILAÇÃO


Raro pleito estrelou-me a companhia
Esse que o pensamento mal oculta
Porquanto ali viveu o que me ardia
E ainda é só loucura que me insulta

Ritual arrancado à terapia
Em cada gesto aclara mais, exulta
E se aprofunda em nós, como extasia
A pose em ti formada que resulta

E tudo vai ao vento como pólen
Enquanto mil instantes se decifram
Em nossas evidências como podem

Assim disse a paixão, como bem cifram
Esquecendo a razão, corpos que explodem
E em picos chamejantes se borrifam


Miguel Eduardo-


Nota: primeira variação de OLHAR CERRADO (VIII)

sábado, 4 de dezembro de 2010

XVIII - MADRUGADA AMANTE























MADRUGADA AMANTE

Dizendo no seu fecho em bela fala
A madrugada uiva o verbo amar
Inflamando o rubor que o instinto cala
Por querer-se adornada em só luar

E a gente entende como sendo gala
De um tempo leve no infinito ar
Que em hora dessas basta o contemplá-la
Mítica musa em pele do adorar

A fúria do prazer é evidente
Emerge do espetáculo que excede
À gloria sublimada em nossa mente

É coisa tão silente em que sucede
Paixão que forte vem e indiferente
Mas é, 'incontinenti', como pede

Miguel Eduardo-




XVII - LEDO ENGANO



















LEDO ENGANO

Esses olhares seguem em segredo
Aonde alcança o mar por distraído
Entrevistos pesares que dão medo
Como aflige de insânia o amor contido

Cenário que conduz a engano ledo
Nas cores de um desejo pervertido
Em que a vontade dá, se faz mais cedo
E cede à voz mais forte e sem sentido

O meu querer é outro, é previsto
No foro expresso d’alma se regala
E se distrai enquanto o resto é quisto

Em meio de quimeras de uma escala
Acordes dissonantes do imprevisto
Que o coração medita mas não fala

Miguel Eduardo -



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

XVI - O BEIJO


























O BEIJO

Feito fulgor de forma desmedida
Um belo instante ágil percorreu
Minha manhã de sol em brisa havida

Segundo que surgiu do nada e ateu
Tornou-se obra à graça cometida
E então criando vida foi-se o breu

Que fatos inflamados coroaram
Pulsantes como ecos dos abraços
Carícias então feitas num afã
De haver da fome louca mil "amassos"

Altas resoluções que cravejaram
A carne tenra, o rosto alvo e os passos
Se transformaram num prazer terçã
Matizes de esquentar sentires lassos

Miguel Eduardo-

XV - NA MELODIA DO SEXO














Na melodia do sexo
Jogo da excitação
Bandeira é da emoção
E perfeição do nexo

De amante brincalhão
Como sói ser no verso
Brado que faz emerso
O poder de um vulcão

Derrama onde me caio
Espasmo rouco e humano
Além ser necessário

Que vai causando espanto
A viver de soslaio
No oásis do entretanto

Miguel Eduardo-



XIV - SINA


















SINA

Sei que ninguém é perfeito
Tu, mulher, amor bandido
Não sei se entendo direito
Ou quiçá tudo invertido

Pela boca peço o beijo
Quero a noite em vez do frio
No entanto, carinho e jeito
Só tenho ao sol do arrepio

Lua da minha integridade
Que de novo torna dia
Tu és a minha saudade

És intrépida magia
Na letra, céu da verdade
Ainda és o que via

Miguel Eduardo



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

XIII - INTEIRA SINFONIA





















Já febril de carinhos desenhada
Às passadas de um lúbrico volteio
Levanta a perna bem compenetrada
E a outra como a um toque pelo arreio

Regendo-se por dedos pelas costas
Dança de passos largos e precisos
Dando realce às roupas bem dispostas
E aos lábios entreabertos e indecisos

Sinal da quente música e do vinho
Na grelha desse fogo queima breve
A ponto de me pôr em desalinho

E ante o sangue da flor alucinante
O que era tão formal e sério e místico
Foram carnais momentos doravante

Miguel-

XII - INTER-FLOR






















INTER-FLOR

As muitas curvas desejosas
Alentos que meus olhos veem
Cachos de frutas saborosas
Essências etéreas também

Gênio das mulheres dengosas
Dessas cujos perfumes creem
Vestirem peles vaporosas
São elixires do meu bem

Em seu corpo desponta um sonho
Que olhar algum jamais traduz
É ali que vive o que transponho
E que bem sei aonde luz

No paladar de tanta espera
Reside a fome de uma fera

Miguel Eduardo

XI - FLOR SILVESTRE


















FLOR SILVESTRE

Na febre de um desejo rés da pele
É tal e forte a chama inebriada
Que o ato faz-se todo temporada
E o mundo se tranforma e se derrete

Na dança ornamental apalavrada
O meu desejo inventa e não repele
Para gozar a festa faz confete
Pois tudo é força mágica e suada

São dias animados de luxúria
Para aquecer a cor da confidência
E tal segredo saia da clausura

Como supostamente uma evidência
Modele-se em paixão que se afigura
Fazendo-a perfeita em florescência


Miguel Eduardo-

X - A MENTE


















Como eu quisesse estar ausente à lida
Assim a face ao mar em muda areia
Levada em vento para bem na ida
Ao ar ser livre como é a sereia

Então, demente e esguia ogiva intensa
Tal uma escada ao céu levando adeuses
Ficasse eu só memória e pura crença
A ver corando o dia incertas vezes

No breu noturno acende ela ametista
Em estrelado cio de estrelas lindas
Solta a vencer sem ter lembrança à vista

Viúvo sol do vento amoralista
Tua língua foge quando tu te findas
Na minha mente efeito de aforista

Miguel-





IX - MOMENTOS

























MOMENTOS

Um dia sabe sangue, e a rosa louca ri
Resolveu como quis, navegou no entre si
Fez-se noite atrevida, mulher distraída
Que gostando de ser, vai cometer a lida

Veio escutar um coração em frenesi
Pode perpetuar, sentindo o que sorri
Festa encantada, que mistura e rima a vida
Quando um casal se junta e a faz entorpecida

A céu aberto o leito é mar, valsa elegante
Reside em dança onde se perde e segue avante
Viagem sem regresso flui, grassa capaz

Que nesse corpo em que me entalo e fico lá
Despe-se a alma, o seio cresce e tudo há
Num só instante a vida inteira num záz-trás

Miguel Eduardo