domingo, 5 de maio de 2013

XCIII - INSCRIÇÃO







INSCRIÇÃO


Atrás de um jeito especial
Dizê-lo faz com que a palavra
Adquira a forma instintual...
E nela a vida se celebra!

Não há noção do espacial
É só a mente que desbrava
O ar devido e pontual...
A cor do dia vem de quebra!

Luxúria esguia como chama
Que a súbita paixão domina
E o corpo todo cede a aclama...

Que força mágica qual sina
Transforma o ser num seu programa
Fazendo nada que a previna!

(Miguel Eduardo Gonçalves)

sábado, 30 de março de 2013

XCII - SOBREVIVENTES...


Comando ao sentimento dá à visão
Pensar criterioso e aprisionado
Que rouba a um coração apaixonado
A graça interessante da ilusão

Que é hora do furor indisfarçado
Querer que não se oculta em cada mão
Agindo pelos corpos que se dão
Trazido do infinito reclamado

Distante deste mundo corriqueiro
Caminho sem retorno recomeça
Separa-se de nós e volta à pressa

É dele que se alastra alvissareiro
No hipnótico encanto de um luzeiro
O que a vida em prazeres atravessa

(Miguel Eduardo Gonçalves)

domingo, 17 de março de 2013

XCI - ENCENAÇÃO



Encenação
Através da palavra unicamente
O que vejo no tempo, de bandeja
A gerar no poema essa beleza
É entreaberta janela ao que se expende...
O silêncio analisa a natureza
Toca breve o segredo que a desvende
Cordial no fazer-se confidente
E disperso nas letras como seja
Solidão sem disfarce nem remendo
Que entrará pelo espelho da memória
Envolvente ternura do acalento.
Quando sinto esse enredo que me olha
Qual teatro a espreitar o seu elenco
Lá no fundo, ambienta a minha hora!
Miguel Eduardo Gonçalves

domingo, 3 de março de 2013

XC - INFINITOS

Cor infinita corta o ar agora
Pequena flor constante dá o recado
É a beleza do mundo como aflora
Neste poema em versos que arrecado.

São sucessivas ondas, muito embora
A medo o adeus comum é desvendado
Recordação que vem e se demora
E sem disfarce torna-se um tratado.

E assim a duração do belo é a tua
E o pensamento voa enriquecido
Por um encanto que me apazigua...     

No som do mar a sensação do rito
Do céu a voz cadente em riso, nua
A natureza veste e eu pasmo fico!        

MEG

domingo, 17 de fevereiro de 2013

LXXXIX - TENTANDO A REALIDADE


TENTANDO A REALIDADE

Tentando a realidade diplomata
Espelha, lá de um sonho onde estão
Vontades com extrema excitação
Espasmo estilizado que arrebata    

O tempo vai passando não em vão
Afável por capricho autodidata
Tecendo em cada beijo que delata
A breve lucidez levada ao chão       

Perfil emocionante esse desejo
Presença que me faz ver o que vejo
Sequer sabe da hora comedida

Que ele só por si é já aviso
Atado a cada instante em que diviso
Sentido o bem supremo que é a vida

Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 19 de janeiro de 2013

LXXXVIII - VIDA MUSICAL


Qual faz a opinião quando acertada
Que à luz do bem adestra o pensamento
Também é no viver que me acalento
De tanto que faz bem e me arrecada

Repousa em cada hora o norteamento
Porque vivida à plenitude alçada
A lida como em tela matizada
De um mundo só formoso, cem por cento

Pois nesse natural que belo e forte
É o mundo acontecendo em meu desejo
Sorrindo-se por si como em cortejo

Que encontra a realidade e muita sorte
Acorde se fazendo como a elejo
Por mim cheia da graça de um arpejo

MEG

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ 2013!




FELIZ 2013!





Teremos muita sorte acaso a vida

Preencha-nos com a tal felicidade

Num riso acolhedor como guarida

Sarau da temporada à dignidade!



E a gente faça o instante ser partida

Distante do desejo da verdade

Que imerso num azul tão sem medida

Do céu a solidão inteira invade...



À força dos prazeres deste ano

Versado esperar aqui se faça

Em própria maravilha, soberano



Que assim a nossa parte vem de graça

Qual brilho do frescor de um mar praiano

Que poupa a realidade da ameaça.



Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 29 de dezembro de 2012

LXXXVI - CRIAÇÃO


CRIAÇÃO

Numa literatura enriquecida
Pelo charme em que a sorte faz morada
Inspira-se a palavra cometida
Pensando a ocasião a ser trilhada...
Leitura de um passeio pela vida
Ao infinito estende-se versada
E de excitada faz-se então sortida
Ampliada versão de uma esplanada!

É raio de beleza que se abisma
E cai na intuição de qualquer jeito
Fazendo delirar como sofisma...

E nesse grito mudo aqui desfeito
Desfilo pelo palco cada cisma
Na sombra ainda quente do meu pleito.
MEG

LXXXV - APAIXONADAMENTE

Apaixonadamente

Do sexo a liberdade é temporada
Indissociavelmente da libido
E quanto mais a posse é então velada
O espasmo nos repassa ensandecido.

Triunfo dá-se à fome alimentada
Da natureza é lei e não conflito
Efêmero arrepio nos arrecada
É pele indisfarçável, veredito...

E essa linguagem física é a cena
Consiste impaciente nos sentidos
Alarga-se à gente numa arena!

Que fins mais refinados acendidos
São esses que dominam à mão-pequena
Os dias que se vendem por gemidos!
MEG

domingo, 29 de julho de 2012

LXXXIV - NADA DIGO QUE NÃO SEJA



Na breve imaginação
Nela influindo esse jeito

Que me toma em adoção

Qual poema em que me deito


Num sonho quase desfeito
Faço esplender a emoção

Onde me ampara perfeito
Um destino em construção


Revejo o tempo vivido
Projeto em dias faustosos

Onde eu não seja contido

E com versos poderosos
Desencanto é interrompido

Por desejos caprichosos

(Miguel Eduardo Gonçalves)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

LXXXIII - REALIDADE

Em seu momento o tempo necessário
No inevitável de um passado morto
Porquanto tido num disperso armário
Em temerário aquém anseio absorto

A vida na verdade é aquele horário
Que vaga entre o querido e o desconforto
De ser o que deveras me é vário
Qual sede de querer-se a flor num horto

Nesse lugar de éter se define
Paira capaz desejo sem demora
É fato destemido que retine

E o Incêndio perdura noite afora
Provando que a paixão é um magazine
Oferta de gracejos nesse agora

(MEG) 

LXXXII - SOLUÇÃO...

O preço a pagar não cessa
No jamais dos pensamentos
Onde haja uma promessa
Prazerosa aos sentimentos

Sensações disparam pressa
Se delas os bons momentos
Onde a ânsia de confessa
Vá pelos corpos sedentos

No deleite da ilusão
Farsante sonho não ser
Forjado momento vão

Sintonia c’o prazer
Faz da vida a solução   
Do melhor acontecer

(MEG) Santos, 25-7-12

domingo, 22 de julho de 2012

LXXXI - SIDERAL


SIDERAL

Espero por um verso e nada vem
Perdidas num pensar que é racional
Palavras nos sentidos que lhes dão...

E o corpo está distante e a mente aquém
Arrancados de si no essencial
Que é de cada um sua ilusão...

Agora o frágil sangue de uma flor
Ouvindo a solidão que é tão real
Regressa em leve tom sensorial
Listando um sentimento em cada cor...

E faz-se a inspiração artesanal
Vontade de um momento inquietador
Fomenta este soneto de esplendor
Tentando a poesia sideral!     

Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 21 de julho de 2012

LXXX - UNIVERSO



Imagem: sistermoon.art


UNIVERSO

Perdido pelo tempo inexorável
No estorvo do porquê de uma recusa
Um fato bebe à luz em mim saudável
Inibindo a tristeza que me cruza!

Que sobre o mundo segue irrefreável
Qual sorte que se vai, achou-se intrusa
Ideia arquitetada no improvável
Mas sou o simbolismo que a conduza...

Encantamento feito a preencher
Etapa essencial que primavera
Nas fases das amostras do teu ser!

Que a vida só espera acontecer
A quem a viva como a uma quimera
No brilho apaixonado do prazer...

Miguel Eduardo Gonçalves

LXXIX - ALQUIMIA





imagem: sistermoon.art


Cintilando sonhos os sentidos
Conflitos guardados pelas pálpebras

Na hora exilada da memória
Desnudando um gênio oportunista...

O corpo ficara abandonado:
Devesse ele ser fantasioso
Distinto da mente entorpecida!

E assim divagando em coloridos
Sou eu me sentindo pelas quebras
Que esbarro nas asas dessa história
Calma solidão mais folclorista!

Alucinação que faz o estado:
Ao zumbir do tempo temeroso
A fatalidade de uma vida!

(
Miguel Eduardo Gonçalves)

sábado, 7 de julho de 2012

LXXVIII - SOLAR


Em sonho multipartido
Aparência que me alerta
Por amor intrometido
Essa verdade encoberta

É desejo que desperta
Está em qualquer sentido
Pois pensa uma descoberta
Na beleza que presido

Nossos corpos, universos
 Como estrelas em passeio
Movimentam-se dispersos

Focado zelo em que anseio
Pela força destes versos
Nosso ego em devaneio

(MEG)

domingo, 10 de junho de 2012

LXXVII - INSINUANTE...


Para o capricho pleno fecundar
Como clareia a lua a noite escura
Desponta verdadeiro desnudar

Certo aroma escondido na candura
Debanda a timidez pela aventura
Desperta gula faz-se num olhar
Enquanto chama dure essa loucura
No ardente sobressalto a desfolhar

Tanto agradece aos bis que até se ri
Beijo guloso em lábios tem morada
São pétalas bailando em frenesi

Vontade tropical apaixonada
Que enlaça corpo e língua, e nem aí
Resolve a coisa de uma talagada

Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 2 de junho de 2012

LXXVI - PAIXÃO (II)

Quando o sol estiver a pino regulado
E for um abraçar maior que pegue o mundo
O tempo será claro, azul, arregalado
Vestido só de céu, como um olhar profundo.
Já nós seremos fogo ao vento persistente
Quando o desejo seja o anseio percebido
E o mundo inteiro tal esse calor da gente
Exultante paixão, dela a fazer-se ungido.
Sem artifício algum, prazer tão aclamado           
Em desejoso sexo o tempo dure e aja
E fato, submetendo, há de ser refinado
O próprio ato em si, por tanto que encoraja.

Que essa verdade humana atente com veemência
Pois, verdadeiramente, ativa a saliência!


(Miguel Eduardo Gonçalves)

LXXV - RARA BELEZA


Florescendo da moça estonteante
Farto encanto por que se aparecia
Apelante desejo em sintonia
Frenesi com poder narcotizante.

Do verão a umidade reticente
Nesse mar da miragem sem igual
Convincente manchete, de atual
Que maduro esse fruto me consente.

Inda mais, que dos bicos um segredo
Latejando aos olhares sucessivos
Adivinha meus atos convulsivos...

Ornamentos em gestos, um brinquedo
Pensa amante, constrói-se nesse enredo
Mansamente explodindo nos sentidos!  

(Miguel Eduardo Gonçalves)

LXXIV - MAESTRO (II)

LXXIV - MAESTRO II  

Sou a batuta que me tem
Pois sei que nela existe vida
Na harmonia daqui e além
Dando aos acordes a investida.

Essa, que entre as coisas mais raras
O tom oferece aos sentidos
E os deslumbra com suas aparas
Senões a domar os ouvidos.

Diante de mim, como um feitiço
Aos olhos inflamam-se as cores
Ponteio intervalos, por isso

Como luz que harmoniza amores               
Em meu coração aterrisso...
Esse meu sol com seus valores!
(Miguel Eduardo Gonçalves)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

LXXIII - VISLUMBRE

Quanto sutis se querem tais momentos...
Vêm do erotismo pleno se mostrando
Teus lábios dos sabores tão sedentos
Por mim cumprindo a saga em que me expando!

Caminhos que me avivam sentimentos...
Capricho que se chega inebriando
De uma cintura feita aos movimentos
Troféu que não demora a meu comando!

Qual força afina-se, nomeia o ato
Que frenesi do ânimo se torna
Em noite que incandesce e apura o fato?

Inexplicável templo achado exato
Sob o vestido enleio que o adorna
E aos poucos abandona o anonimato.

Miguel Eduardo Gonçalves

LXXII - Elixir de sonho bom


No jardim dos pensamentos
A vontade da promessa
Dá comando aos sentimentos
De fazer suar à beça...
Lá se formam bons momentos
Sensações disparam pressa
Pelos corpos mais sedentos
Em que a ânsia recomeça
Pra deleite da visão
Rebolante luz de velas
A pôr fogo na ilusão
Desfazendo-se em quimeras
Tal como ondas de um marzão
Pelo estar no meio delas!

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 9 de maio de 2012

LXXI - Licença à Palavra

Para ficar no estrito necessário
E ao pé da letra o instante indiferente
Neste soneto apenas um sumário
Do que me diz a alma certamente

E disso o estar ciente, por hilário
Ao céu da minha obra é silente
Não diz respeito a ela um anuário
Que sobre mim exponha o evidente

As letras são amigas da emoção
Dos sonhos cores, não suas conclusões
E a um poema é como elas se dão

Poema que transvasa mil senões
Não é recado nem é discussão
Tão só contempla alvos de afeições

Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 8 de maio de 2012

LXX - ÁGUA (criação coletiva)

Água

H20 é água, água só.                                   p 
Vital à vida e a vida a tem sem sobra...         r
Mas há no desperdício, de dar dó                m
um mal que é incontido, triste obra...            r 

Mais vale em sortilégio, e muito pró             m
sonhar, sim, com o futuro que desdobra       r
a natureza em vida do seu pó                       m
o mesmo que por pouco não soçobra.         r 

O amanhã, que não chora nem sorri             m
fará lembrar que a água é um tesouro          r
insofismável mãe de lá e daqui!                    m

O seu valor excede muito ao ouro               r
é o equilíbrio que nas nuvens li                     m
que desça sobre nós torrente... Estouro...     r

p. Paulo Camelo, r. Ronaldo Rhusso e m. Miguel Eduardo Gonçalves

Soneto composto em http://descansodasletras.forumeiros.com/

domingo, 6 de maio de 2012

LXIX - AUSENTA-SE DE MIM CERTA DISTÂNCIA

Ausenta-se de mim certa distância
Colado sinto à pele o que há na mente
O mundo eternizado numa ânsia
Tão como te expõe a mim pra sempre

Pois pensa uma ansiedade, que ciente
De que se guia farta de elegância
Estreita o nosso espaço e nos consente
Na cama que faísca na abundância

Fragrância que por fim a tudo cala
Na forma que o instante eriça os pelos
Na cena que sublima a nossa gala

Paixão que é do furor por seus modelos
-Como porta-bandeira e mestre-sala-
Tão dada inteiramente por desvelos

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 25 de abril de 2012

LXVIII - SEQUESTRO DE MENTES

SEQUESTRO DE MENTES

A vida mostra aqui, não mostra lá
O que diante dela se vislumbra
E não desaparece pelo ar
Se não acreditamos que retumba

Atores, num tablado em tafetá
Tecido, exibem prova que deslumbra
Cingindo em maravilhas o altar
De uma crença, tolice que os incumba

Abracadabra em passe de um ser nulo
A ignorância preenche, que bajula
Quem cegamente crê em caricatura

Uma 'virgem qualquer' é seu casulo
Sensação que o ilumina como cura
Lavagem cerebral que inspira e adula

Miguel Eduardo Gonçalves

segunda-feira, 9 de abril de 2012

LXVII - Profundo amanhecer...

Profundo amanhecer de altivo aspecto
Daquela onipotente fresta nasce
E tudo se alvoroça e faz-se inquieto
É o fogo fortemente como esparze

Nos cobre impetuoso e circunspecto
O sol pela janela sem impasse
Explode no colchão já não secreto
De um mundo de paixões descobre o enlace

Põe luz nos movimentos que almas têm
Prodígio que faz doce a humanidade
Lambendo-lhe as carnes sem desdém

Submete cada mente e a intimidade
E à sombra de seu manto nos mantém
Com força renovada de verdade

(Miguel Eduardo Gonçalves)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

LXVI - FRENESI...

No carinho das noites estreladas
Mítico para ser todo delírio
Na seara de vozes encantadas
Timbra singelo tom como colírio

A noite está de mãos deliciadas
Tão cúmplice de nós, em prata lírio
A perpetrar nas áreas mais sagradas
Onde o prazer invade quente e frio

Cálice borbulhante de cristais
A retinir os ais inquietamente
Por suspiros letárgicos, -demais-

No frenesi dos corpos mais demente
Radiante gosto, campos siderais
Numa boca enroscada em cada ventre

Miguel Eduardo Gonçalves

domingo, 29 de janeiro de 2012

LXV - Da arte do viver...

Da arte do viver, o nascimento
Por acerto da sorte validou
Pois foi que então por mim me fiz momento
Medida que ninguém reivindicou

E o tempo assim falou, jogou-se em flores
Já sei donde advém estado igual
Estrelas lá no céu são teus amores
Teu ânimo cantado em ritual

Extremo esse querer, mas pertinaz
Areia e terra e pó nem repartidos
Efêmero que o amor o mundo faz

Edifício do bem e adolescente
Dos versos voos ligeiros pressentidos
Manchete que me fez e me consente

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

LXIV - CÉU E INFERNO...

























CÉU E INFERNO

De tanto inflar de triste sina um só engano
Tomando por cenário vivo a voz do eterno
A um tempo, meio certo e fim de que me ufano
Partido livre, como um ato meu externo
Desejo de fazer do tempo vil e estranho
A coisa arrazoada de que me governo
Porém um quê se faz no traço visto belo
Que a prova diz não ser razão ruim nem boa
Tal crença faz do sol um deus a quem apelo
Cruzar os dedos me dá sorte, me abençoa
E a pata de coelho afasta-me o flagelo   
Porque emotivo penso a ajo não à toa   

Meu Mestre ensina ser devoto a Ele e fim
É a meia noite clara feita em num jardim  
 
Miguel Eduardo Gonçalves-

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

LXIII - ESTADO NASCENTE

Desenhando a vontade na penumbra
Silhueta do ímpeto que impera
Delatam movimentos altaneiros

Na pompa da paixão que se vislumbra
Da emaranhada trama uma paquera
Transforma os corações em picadeiros

Torpor insinuante e orgiástico
Clamando à noite em ecos se contorce
Ao tempo que um sorriso cativante
Contagia a emoção já iminente

E elevam-se infinitos no fantástico
Momento em que a imagem se distorce
Por matizes de um cio aliciante
Que a sedução intenta experiente

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

LXI - EM RESUMO

A gota d´água foste da destreza
Do nosso jogo o sol maravilhado
E o que me fez e a ti também mais presa
Fez o tempo decerto estar parado

Pois me findei tranquilo e viciado
Na brincadeira feita com certeza
Onde o pecado é ato sublimado
E à negação não resta mais defesa

Frente ao desejo já tão acendido
O primitivo jeito do cortejo
Redemoinha ao léu por aferido

Que achado exato e em graça como um beijo
Em tua volúpia faz-se mia libido
Numa lição que ensina como a elejo

(Miguel Eduardo Gonçalves)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

LX - PAIXÃO

PAIXÃO

Inquietante manjar do adolescer
No carmim desse leito a amanhecer
Um prazer que se alastra tão pedinte
Para mim nada mais que teu requinte

Nesse impulso maior há de ferver
Frenesi que resume o entrever
Do jamais esgotar-se num só brinde
Noite sempre-paixão, por conseguinte

Que em teu corpo reflete-se, destila
Misturada ao titânico desejo
Corporal a luxúria na pupila

E estampando o frisson desse cortejo
Doravante a mostrar como desfila
Segue o mimo encantado por um beijo


Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 2 de agosto de 2011

LIX - DA SEDUÇÃO

Essa natureza contínua
Que lhe passeia a intimidade
Onde a sinto mulher-menina
É erotismo que persuade

Por sensações feitas do amar
Numa sonoridade tátil
Do respirar o mesmo ar
Metamorfose do versátil

A mesma lua, o mesmo chão
Relação que tanto me aviva
Mesmo desejo, igual paixão
Verdadeira e definitiva

Pois de amada pelo que é
Me faz inteiro em seu balé

Miguel Eduardo Gonçalves-

domingo, 31 de julho de 2011

LVIII - PRELIMINARES

Miguel Eduardo Gonçalves-

No desejo de querer sublimar essa paixão
De um encanto me servi para impor-te o preferível
Como fosse o meu prazer escudado na razão
Que te desse as coisas vãs como as quer o iludível

Nessa casca de verniz teu pudor vai sucumbir
E por tanto quanto hás de adorar esse meu dote
Num incêndio em gozos mil queimarás até rugir
Pela chama que jamais tu verás que em mim se esgote

Pois teus olhos que um orvalho de amor há de banhar
É também paixão maior resolvida por um bis
Do romântico erotismo entreaberto à tentação

E então viva inspiração construída de um luar
Infinito e sedutor, sutilmente então me quis
O rigor da realidade a criar a conexão

(Miguel Eduardo Gonçalves)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

LVII - REVOLUÇÃO...


















Coração imprevisível
Que bem sabe como ousar
Não sei decerto explicar
Esse jeito irrescindível
Pois só me diz vagamente
E dispersado, propaga
Aos sentidos, de repente
Como só a paixão faz prova
No consenso do volúvel
De um cenário em mutação
Nascer manifestação
Que se haja indissolúvel
E de um poderoso eflúvio
Seja em si a revolução

Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 23 de julho de 2011

LVI- Este soneto pensa...

Este soneto pensa, e ainda agora
O caos humano segue, muito embora
Se diga a voz do eterno tão clemente
E a escolha a nós pertença, de repente

Assim a vida é crença que não cora
Transforma em dogma o ser de cada hora
E o homem num qualquer subserviente
De tão apaixonado e assaz carente

A mendigar o céu, por recompensa
Que lhe faculte a vida eterna em paz
Precisa crer na Fala, qual sentença

Inabalável fé, que aliás
Não é delírio havido de nascença
Mas sim resposta fácil que lhe apraz

Miguel Eduardo Gonçalves-

LV- Bastante nos furores do "eu lírico"

De um primoroso ver aonde alcança
Em cada rima fácil o que adivinha
Dos soberanos versos que afiança
Habitarem em cada entrelinha
As cores todas próprias da festança
Na vida a natureza como aninha
A pena do poeta nessa andança
Que tanto no sentir redemoinha
Na mais indiferente solidão
Pois que o momento feito no abstrato
Acresce a cada letra uma razão
E expande-se vontade o refutado
Prazer do sangue novo da paixão
Que assim passa a valer como recado

Miguel Eduardo Gonçalves

sexta-feira, 15 de julho de 2011

LIV - A SAGA


Em seu anseio um tal prazer em flor
Foi oração de que esperou torpor
Feito apetite a dar prazer à ceia
Que balançou, lhe dilatou a veia

Porque o desejo em si foi destemor
No inevitável de querer se expor
Sutil mulher, amante de mão cheia
Fatal maneira que de lá verdeia

Em belas sedas que a vontade afaga
Porquanto o tendo inteiramente seu
Dá ocasião exata a essa paga

E frente à prenda no seu apogeu
Acende tanto, que jamais se apaga
Fazendo história numa fértil saga

Miguel Eduardo Gonçalves-

quinta-feira, 14 de julho de 2011

LIII - PRELIMINARES...


Da noite, quando a intensidade é transformada
Na força enorme e carregada de presteza
Que o luxo paire rodeando essa esbelteza
A nossa aura que se faz apaixonada

Pequena e bela maravilha ela arrecada
Ao som das cores diluindo-se princesa
Adora o néctar extraído com surpresa
Por obra e encanto de uma vasta madrugada

Porém no intento bailarino que divise
Venha em suspense e desenhando pelos ares
Aquela pose indiscutível e sem crise

Que o indício claro e insofismável dos olhares
Mais alto fala e qual desejo sem deslize
Momento acaba a incendiar preliminares

Miguel Eduardo Gonçalves-

terça-feira, 12 de julho de 2011

LII - TRUNFO

A gota d´água foste em sutileza
Beleza em raro tom maravilhado
Depois de tanta teima na defesa
Fez o teu templo ser do qual me invado

Porquanto tenha sido sorteado
O meu saber-me firme na certeza
De ser o teu pecado inacabado
Querido instante esse posto à mesa

E assim, sem mais nem menos, gotejando
Os poros, como tochas que faíscam
Exultam quanto amor a ti garanto

Pois nesses picos tantos que beliscam
Capricho ousa louco e sem tamanho
Que afagos fervem mais quando petiscam

Miguel Eduardo Gonçalves-

sexta-feira, 8 de julho de 2011

LI - DESEJO AMANTE

Cruzar contínuo de divinos ares
Longe dos males, no torpor dos mimos
Na luz dos sonhos que risonho apus
Na longa história que tanto seduz...
Teus merecidos, em sagrados traços
impetuosos como devem ser
Deixam-me louco por vaidoso estado
Posto que busco na vontade o ato!
Já nesse urgente em que me nasce a hora
Rito da alma que o amor consente
Razão se afasta, como sei que adoras...
Que em belo sexo que o apetite sente
Rende-se a regra de uma flor agora
Fugindo ao laço, que se faz ausente!


Miguel Eduardo Gonçalves-

quinta-feira, 7 de julho de 2011

L - DO SURTO

Sopro forte toando horripilante
Timbre tocando o sangue, a inconsequência
Presente em forma vã, grande insolência
Que indulta a clara inépcia num instante

E quanto faz verdade na insistência
Caos humano, febril e meliante
No rito de um monólogo lesante
Querendo fazer crer que há decência

Nesse amargor perverso como sina
Haver certeza tanta que imagina
Ser-lhe decerto a forma que não esgarça

Que possa transcender à obra divina
Nos resíduos da vida que disfarça
O que em memória esconde numa farsa
Miguel Eduardo Gonçalves-

sábado, 18 de junho de 2011

XLVIX - Este soneto...





















Este soneto brinca enquanto chora
O caos humano ergue-se, embora
O balido do eterno paz somente
Enseje a grande lida de repente

Assim a vida é fruto que respira
É palavra do mundo, não expira
Capricho de luares e de sóis
Em príncipe guerreiro entre lençóis

São miragens que vão tirar do sério
Transmitidas das taças de cristal
Num baile em frenesi transcendental

Foi por saber porquê desse alto-astral
Que o tempo então sorriu de outro hemisfério
Mostrando em sua cara tal mistério

Miguel Eduardo Gonçalves-

terça-feira, 31 de maio de 2011

XLVIII - POEIRA MARAVILHOSA


















Pelo aroma me persigo
Vem do plácido distante
Regressado em que me abrigo
Mesmo sendo o ‘meu’ mutante

O quase, em submisso instante
Abre espaço ao ‘ser’ antigo
Suspenso onde me garante
Condição de ser ‘comigo’

Para quem de si espera
O ausente enleio e disperso
O que dentro em nós se gera

Porque somos no universo
Grãos de vida na biosfera
Donde és olor imerso

Miguel Eduardo Gonçalves
31/5/11

sábado, 14 de maio de 2011

XLVII - TULIPA


















TULIPA

Tão majestosa e fina em cada esquina
Desejo em que meus olhos não vacilam
Errantes pelo corpo que alucina
Carícias tão febris que as chamas gritam

Que a pele cresta e espera suavemente
Da hora em que essas coxas são os astros
Qual velas sob luz impaciente
O vento necessário pelos mastros

Na íntegra uma vida e humanas seivas
Ao laço da gentil fusão ferrenha
Que pétalas se abram satisfeitas

E desse lábio-mel, princesa, fale
Tão forte, até que em cheiro chegue e tenha
A sílaba que espero que me cale

(Miguel Eduardo Gonçalves)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Que me deflore o êxtase de tanta entrega - XLVI























Que me deflore o êxtase de tanta entrega
Sou dança fabulosa em gestos acrobáticos
Manobra um cavalheiro enfim que esplende e cega
Teus olhos infiltrando, deixando-os estáticos

Entreabre-te rosa linda e insinuante
Por obra de uma noite e graça que sacia
Queda ao meu membro pasmo que não cessa arfante
Querendo te ordenar os planos dessa orgia

E soam loucos feito sinos magistrais
Teu corpo que meu sangue pede em euforia
E ele cravado em ti como pedi jamais

Naquele cheiro acre que jamais esfria
Entre os espaços onde tu me pegas mais
Na lida que mistura em mim a noite ao dia

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Faze teu coração meu cativeiro - XLV

















Faze teu coração meu cativeiro
Quero contigo estar sabor inteiro
Me conduzir à casa do banquete
Para eu não perecer de fome ao ver-te

Meus poros se dilatam em centelhas
De fogo são teus beijos mil abelhas
Que polinizam flores nos jardins
Como és das volúpias torvelins

Hei de exalar incenso e mirra quente
E todos os sabores corporais
Percorrerão a alcova como sais

Amazona, minh'alma é conivente
Pois me acretido estrela em mar cadente
Que teu desejo faça-me imortal

Miguel-

terça-feira, 19 de abril de 2011

XLIV - DEBUTANTE

















DEBUTANTE


Em que sutis e trêmulos momentos
Vem exótica e nua, e adolescente
Dourando a minha carne em seus alentos
Querendo o luxo inflado de contente

Caminhos por que pecam sentimentos
Em fato inexprimível e competente
Domínio de seus atos e acalentos
É intimidade toda incandescente

E realidade franca faz-se encanto
Que nesse estado meu vai se alheando
O tempo da casaca e a restrição

Pois num vestido leve esvoaçando
A força de vontade vai ao chão
No instante indiscutível do tesão


Miguel Eduardo-

sábado, 19 de março de 2011

XLIII - MATIZES DO SILÊNCIO

















MATIZES DO SILÊNCIO

Vestido de encarnado atenta o espaço
No tom profundo e casto de um bom vinho
Carinho em luz de um céu real e escasso
Pintura marchetada azul-marinho

Requinte de um ar leve traça o traço
Mistério do equinócio de um cadinho
Fusão aonde faz-se em modo lasso
Ensejo de um tufão um remoinho

Dilata-se o infinito em candeeiro
Contraste da existência c'o divino
Querendo confundir um sol brejeiro

E as nuvens como sombras que defino
São pautas da emoção de que me abeiro
Segredo impenetrável do destino

Miguel

sábado, 12 de março de 2011

XLII - TEATRO DAS FORMAS

























TEATRO DAS FORMAS

Naqueles olhos acordados como festa
O meu sentir pelo que vejo desjejua
Como se à luz de um novo esboço a visse nua
Assim desenho ela deitada, o que me cresta

Daquela dança a perna aponta para a lua
Palpita a marca umedecida pela aresta
Que entre os cabelos uma boca na floresta
Luzindo mostra-se rubor que se acentua

Sangue em delírio debruçado na visão
Treme o pincel, na tinta expele um ser ardente
Pinta os joelhos separados de paixão

Por onde corre o pensamento mais carente
E por palavras que inexplicam a razão
Flui a pintura de um poeta de repente

Miguel-

sexta-feira, 11 de março de 2011

XLI - PAVIO CURTO





















PAVIO CURTO

Se afagas, ao primeiro toque o entrego
E se a sede, que faz tamanho alarde
Logo arrebata, e mostra-se a meu ego
Então a mão discreta que não tarde

E o tempo seque a boca da saudade
Cópula que te acende e tanto mata
E morrendo, afinal será a verdade
Qual doce entrega, louca autodidata

Que desabrocha flor, rosa em botão
Natureza sutil que não renegas
Porque tua resistência vai ao chão

Por isso, mas nem só, amo teu físico
Quando a paixão ordena, é às cegas
Que o sinto inteiramente um paraíso

Miguel


segunda-feira, 7 de março de 2011

XL - VOANDO EM CINCO SENTIDOS


























Nas garras de u’a mente entorpecida
A vontade degusta e deixa às claras
Por onde toca e bebe o céu da vida
O fato por que mais te apaixonaras

Pois no prazer que o cetro dá a medida
A atmosfera mostra como encara
Certo oásis delira em acolhida
Mais doce do que açúcar demerara

E tudo é degrau que ao outro leva
A vibração que cheira a maresia
Que ondula e que retine enquanto ceva

É aquela coisa louca que extasia
Que faz sentir o corpo ser em névoa
E a mente num estado de afasia

Miguel-

domingo, 6 de março de 2011

XXXIX - SAPECA


















SAPECA

Adornada por cachos tom de festa
Reflexos, alegria irreverente
Nos cabelos silvestres de floresta

Na voz branca de sonhos, um presente
Nas palavras douradas, a seresta
Que me força a sentir subitamente

Prazer do contemplar através de
Porquanto a vejo em risos como estrelas
Inexplicáveis traços do por quê
À noite como encanta o antever

E se anda, seu dia fica a mercê
Do instante que tão bem soube fazê-la
E aviva-se o desejo, que se vê
Novamente faminto, como ela

Miguel Eduardo-

XXXVIII - DECOTE DO PENSAMENTO


















DECOTE DO PENSAMENTO

Parando para ouvir-te, vício que se alteia
E deixa pelo ar a voz em abandono
Toda a ternura própria onde o humor verdeia
Quer o mistério em mim calar qual céu de outono

Como seria o amor de que a razão é cheia
Tocando a mim brilhante, como nem sei como
A se alastrar em grácil vibração na veia
E em íntimo querer fluísse no abandono

Que força o estágio em que a vagueza faz o tom
Quisesse a sensação em débil versejar
De afeiçoada a ele esqueceria o dom

Que é trazer luxo aos beijos todos sem parar
Como na vida só acontece com a paixão
Quando tempera o verbo ser com o verbo amar

Miguel Eduardo-

domingo, 27 de fevereiro de 2011

XXXVI - CONTRASTES























CONTRASTES

É lindo o entardecer de aveludado céu
Quando vai lentamente anoitecendo o ar
Que se abandona e traz em suavidade um véu
E um sorriso divino faz-me acreditar

Intimamente sinto, mesmo assim distante
Que posso sim ser sol pra sempre iluminar
Trazer minha alegria luminosa e constante
Na certeza de enfim poder pra ti brilhar

Qual uma seiva nova sabe a coquetel
Satisfazer, desejo como o verde amar
De uma golada só em brinde o tal pitéu

Na beleza do puro rosto radiante
Tão grande enternecer se faça no encantar
De mais um casto sonho liberto e cantante


TÂNIA REGINA DE OLIVEIRA VOIGT
E MIGUEL EDUARDO GONÇALVES

domingo, 20 de fevereiro de 2011

XXXV - FENIX

















Ansioso amor se fez em cada esquina
Desejo em que meus olhos repousaram
Ficando pela hora que alucina
As carícias febris que me gritaram

E a pele cresta delicadamente
É noite em que tuas coxas são os astros
Constelação que tudo junta ao ventre
Com forças acenando de altos mastros

Entre o fascínio da discreta relva
Flor da paixão talvez fusão que cale
Singrando os ares como venta a selva

Que dos teus lábios de princesa fale
À noite única a palavra esbelta
Em cujo efeito a fêmea graça paire

Miguel Eduardo-

XXXIV - KUNDALINE

























No despertado rito dos amores
Saber de pele que o desejo afaga
Segredo é desvendado quando fores
Eterno paraíso, a madrugada...

Arrebatando a gula mil sabores
Atirem-se à ventura que me traga
A fúria do prazer por tais odores
Em contenda de lide incendiada.

Certa maneira bela a mente veste
Que ao corpo sensação desperta a vida
Na amável sedução da luz que despe...

Por si esse momento é sem saída
Resume-se a um ato inconteste
Que faz a humana seiva assim parida!

Miguel Eduardo-

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

XXXIII- AÉTICO

























Na transparência extática do mal
Templo do inconsciente reprimido
A revolta absoluta e passional
Faz teatro, repousa e tem sentido

À custa da partilha atemporal
A essência do que fora repartido
Faz do sexo por sexo um ritual
Suicídio da emoção de um pervertido

Na forma virtual do seu fazer
O concreto saber e a covardia
Mais distinguem na espécie o humano ser

Linguagem preparada que abrevia
Na pele de um cordeiro subjazer
Quem sua libido atiça à revelia

Miguel Eduardo-

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

XXXII - MAESTRO

























MAESTRO

Sou a batuta que me tem
Pois sei que nela existe vida
Na harmonia daqui e além
Dando aos acordes a investida

Esta, que entre as coisas mais raras
O belo oferece aos sentidos
E os deslumbram com suas aparas
Canções de domar os ouvidos

Diante de mim, grande feitiço
Aos olhos emprestam a chama
Místico bálsamo, por isso

É como a luz que ampara e guia
Lua cheia, sê minha efígie
Sol meu que nunca se esvazia

Miguel Eduardo

domingo, 16 de janeiro de 2011

XXXI - DA ARTE

























DA ARTE

Como um simples olhar ao léu
Numa noite claro-cristal
Foi quente sol que ardeu de ti
Necessário como previ

Emboscada que o falo incita
Desabrochou na flor proibida
E tal serpente em bote certo
Foi breve instinto a descoberto

Como pele que das carícias
Flui, de súbito retesando-se
No ávido afã das malícias

E nesse afago a solução
Despertou claríssimo apelo
Delírio da salivação

Miguel Eduardo

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

XXX - SEIVA DA ENERGIA

























SEIVA DA ENERGIA

Pupilas de fazer imaginar
Do jeito que cintilam ao luar
Que os olhos resplandecem iguarias
Parecem quentes sóis em noites frias

Lençóis que pegam fogo de alagar
Certo calor se expande pelo ar
Distante em céus imensos de euforias
Nas íris em sussurros tu vivias

E nesse haver tão grande o desejar
Pusesse o meu juízo a ser um mar
Que a falta de pudor me fartaria

Em ser quando me abraças devagar
Paixão em que te fazes suspirar
E separar as pernas da folia

Miguel Eduardo