terça-feira, 18 de março de 2014

C - JOGO...

A viver de soslaio
No oásis do entretanto
Que vai causando espanto

E por ser necessário
Derrama onde me caio
Espasmo rouco e humano

Como sói ser em verso
Do amante brincalhão
Brado que faz emerso
O poder de um vulcão

Que a perfeição do nexo
Bandeira é da emoção
Na melodia do sexo

Jogo da excitação

(Miguel Eduardo Gonçalves)

XCIX - DIA DA MULHER


Paixão em flor, senão desabrochar
Precisa lida enfeita essa morada
Que é o mundo e se faz no esquadrinhar
Dos sonhos que o povoam como nada

Pedaço ensolarado em grande mar       
Encanto raro e graça refinada
Prazer intenso enquanto certo olhar
Deseja-o pra si  em pele intacta

Mulher, riqueza que preenche a ausência 
Das horas faz o que o amor escreve
A pleno, rituais em conivência

Luz alva sobre a nossa vida breve
Seu dia, pois, lhe tem por ambiência
Gentil refém, paixão que assim se deve


(Miguel Eduardo Gonçalves)  8-3-14

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

XCVIII - Prisão Domiciliar

Prisão Domiciliar

O medo paralisa a tentativa 
Mantendo em seu refúgio algum segredo
Esconde certa culpa ou verdade
Ninguém sabendo assim o seu defeito

A vida assim vivida em defensiva
Que o espírito encobre pelo enredo
É apenas o passado, a veleidade
Que até seus versos mentem por despeito

Maior ardor, alquímica redoma 
Certeza é o tempo que esvanece, mata
Com a mesma rapidez de cada instante

Decerto aqui o verso que me toma
Jamais pretenda ser aristocrata
Pois lhe é presente a vida angustiante

(Miguel Eduardo Gonçalves)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

XCVII - Curiosidade ao pé de mim.....

Curiosidade ao pé de mim
Sentida ao vento insaciável
Valia essa mulher por mil 
Tamanha a paixão expedida

E a grande festa assim-assim
Em corpo sublime, palpável
Nascida em ânsia e amor febril
A carne ardia sem saída 

Mistério de um desejo raro
Aquele que há de calar
A força da fome animal

E além, do primitivo faro
Saber-se esculpido no par
Enleio em verniz seminal

(Miguel Eduardo Gonçalves)

domingo, 13 de outubro de 2013

XCVI - NADA É COMO FOI...



Nada é como foi...

Ser vivo, o tempo se transforma... Vês?
Soberbo, como o excesso é alienador
É opinião, nada mais, posta em nudez
Quiçá mostrando à vida algum valor!

Passando a limpo escreve este pudor
Abstraído em profundo eu, talvez
Qual maneirismo intenso e aterrador

Que me enamora calmo e descortês

Divide-se em caráter travesti
Passado de um estado de aguardente
Envolto agora nesse frenesi...

Preciosa flor, intimidade ausente
Tu foste embora enquanto ainda é aqui
Que nada é como foi, de corpo ou mente!

(Miguel Eduardo Gonçalves)

terça-feira, 23 de julho de 2013

XCV - A debilidade da certeza-


A debilidade da certeza-

Quantos seres a imaginação produz
Belos corpos, anjos e demônios... só

Utopia, mito e obsessão por luz

Soluções que se replicam, dão-lhes nó.
 
É o desejo por resposta a que faz jus

O universo do propósito xodó

Paraíso de fantasmas que conduz
Qual disfarce protegido por filó.
 

Na verdade eu o digo, mais ninguém
Permitir-se acreditar, por ser um dom

Mais seduz a sensação que vem dalém...
 
Fanatismo espanta dúvidas, dá o tom

Argumenta a humanidade sem desdém

Confortante é esse crer que é tudo bom!


MEG

sábado, 18 de maio de 2013

XCIV - LUAL



LUAL

Através da palavra unicamente
Sente a vida, que afaga como beija
E o poema gerando essa beleza
É entreaberta janela ao que não mente!

O silêncio analisa a natureza
Da ilusão segredada que a desvende
E inspirado é em fazer-se confidente
Dispersando-se em letras como seja:

Dourado indisfarçável de um momento
Profundo em luz do céu mais imortal
Envolvendo a ternura do acalento...

Quando sinto esse enredo sem igual
Qual teatro que espreita o seu elenco
Lá no fundo me sinto num lual!

Miguel Eduardo Gonçalves




domingo, 5 de maio de 2013

XCIII - INSCRIÇÃO







INSCRIÇÃO


Atrás de um jeito especial
Dizê-lo faz com que a palavra
Adquira a forma instintual...
E nela a vida se celebra!

Não há noção do espacial
É só a mente que desbrava
O ar devido e pontual...
A cor do dia vem de quebra!

Luxúria esguia como chama
Que a súbita paixão domina
E o corpo todo cede a aclama...

Que força mágica qual sina
Transforma o ser num seu programa
Fazendo nada que a previna!

(Miguel Eduardo Gonçalves)

sábado, 30 de março de 2013

XCII - SOBREVIVENTES...


Comando ao sentimento dá à visão
Pensar criterioso e aprisionado
Que rouba a um coração apaixonado
A graça interessante da ilusão

Que é hora do furor indisfarçado
Querer que não se oculta em cada mão
Agindo pelos corpos que se dão
Trazido do infinito reclamado

Distante deste mundo corriqueiro
Caminho sem retorno recomeça
Separa-se de nós e volta à pressa

É dele que se alastra alvissareiro
No hipnótico encanto de um luzeiro
O que a vida em prazeres atravessa

(Miguel Eduardo Gonçalves)

domingo, 17 de março de 2013

XCI - ENCENAÇÃO



Encenação
Através da palavra unicamente
O que vejo no tempo, de bandeja
A gerar no poema essa beleza
É entreaberta janela ao que se expende...
O silêncio analisa a natureza
Toca breve o segredo que a desvende
Cordial no fazer-se confidente
E disperso nas letras como seja
Solidão sem disfarce nem remendo
Que entrará pelo espelho da memória
Envolvente ternura do acalento.
Quando sinto esse enredo que me olha
Qual teatro a espreitar o seu elenco
Lá no fundo, ambienta a minha hora!
Miguel Eduardo Gonçalves

domingo, 3 de março de 2013

XC - INFINITOS

Cor infinita corta o ar agora
Pequena flor constante dá o recado
É a beleza do mundo como aflora
Neste poema em versos que arrecado.

São sucessivas ondas, muito embora
A medo o adeus comum é desvendado
Recordação que vem e se demora
E sem disfarce torna-se um tratado.

E assim a duração do belo é a tua
E o pensamento voa enriquecido
Por um encanto que me apazigua...     

No som do mar a sensação do rito
Do céu a voz cadente em riso, nua
A natureza veste e eu pasmo fico!        

MEG

domingo, 17 de fevereiro de 2013

LXXXIX - TENTANDO A REALIDADE


TENTANDO A REALIDADE

Tentando a realidade diplomata
Espelha, lá de um sonho onde estão
Vontades com extrema excitação
Espasmo estilizado que arrebata    

O tempo vai passando não em vão
Afável por capricho autodidata
Tecendo em cada beijo que delata
A breve lucidez levada ao chão       

Perfil emocionante esse desejo
Presença que me faz ver o que vejo
Sequer sabe da hora comedida

Que ele só por si é já aviso
Atado a cada instante em que diviso
Sentido o bem supremo que é a vida

Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 19 de janeiro de 2013

LXXXVIII - VIDA MUSICAL


Qual faz a opinião quando acertada
Que à luz do bem adestra o pensamento
Também é no viver que me acalento
De tanto que faz bem e me arrecada

Repousa em cada hora o norteamento
Porque vivida à plenitude alçada
A lida como em tela matizada
De um mundo só formoso, cem por cento

Pois nesse natural que belo e forte
É o mundo acontecendo em meu desejo
Sorrindo-se por si como em cortejo

Que encontra a realidade e muita sorte
Acorde se fazendo como a elejo
Por mim cheia da graça de um arpejo

MEG

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ 2013!




FELIZ 2013!





Teremos muita sorte acaso a vida

Preencha-nos com a tal felicidade

Num riso acolhedor como guarida

Sarau da temporada à dignidade!



E a gente faça o instante ser partida

Distante do desejo da verdade

Que imerso num azul tão sem medida

Do céu a solidão inteira invade...



À força dos prazeres deste ano

Versado esperar aqui se faça

Em própria maravilha, soberano



Que assim a nossa parte vem de graça

Qual brilho do frescor de um mar praiano

Que poupa a realidade da ameaça.



Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 29 de dezembro de 2012

LXXXVI - CRIAÇÃO


CRIAÇÃO

Numa literatura enriquecida
Pelo charme em que a sorte faz morada
Inspira-se a palavra cometida
Pensando a ocasião a ser trilhada...
Leitura de um passeio pela vida
Ao infinito estende-se versada
E de excitada faz-se então sortida
Ampliada versão de uma esplanada!

É raio de beleza que se abisma
E cai na intuição de qualquer jeito
Fazendo delirar como sofisma...

E nesse grito mudo aqui desfeito
Desfilo pelo palco cada cisma
Na sombra ainda quente do meu pleito.
MEG

LXXXV - APAIXONADAMENTE

Apaixonadamente

Do sexo a liberdade é temporada
Indissociavelmente da libido
E quanto mais a posse é então velada
O espasmo nos repassa ensandecido.

Triunfo dá-se à fome alimentada
Da natureza é lei e não conflito
Efêmero arrepio nos arrecada
É pele indisfarçável, veredito...

E essa linguagem física é a cena
Consiste impaciente nos sentidos
Alarga-se à gente numa arena!

Que fins mais refinados acendidos
São esses que dominam à mão-pequena
Os dias que se vendem por gemidos!
MEG

domingo, 29 de julho de 2012

LXXXIV - NADA DIGO QUE NÃO SEJA



Na breve imaginação
Nela influindo esse jeito

Que me toma em adoção

Qual poema em que me deito


Num sonho quase desfeito
Faço esplender a emoção

Onde me ampara perfeito
Um destino em construção


Revejo o tempo vivido
Projeto em dias faustosos

Onde eu não seja contido

E com versos poderosos
Desencanto é interrompido

Por desejos caprichosos

(Miguel Eduardo Gonçalves)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

LXXXIII - REALIDADE

Em seu momento o tempo necessário
No inevitável de um passado morto
Porquanto tido num disperso armário
Em temerário aquém anseio absorto

A vida na verdade é aquele horário
Que vaga entre o querido e o desconforto
De ser o que deveras me é vário
Qual sede de querer-se a flor num horto

Nesse lugar de éter se define
Paira capaz desejo sem demora
É fato destemido que retine

E o Incêndio perdura noite afora
Provando que a paixão é um magazine
Oferta de gracejos nesse agora

(MEG) 

LXXXII - SOLUÇÃO...

O preço a pagar não cessa
No jamais dos pensamentos
Onde haja uma promessa
Prazerosa aos sentimentos

Sensações disparam pressa
Se delas os bons momentos
Onde a ânsia de confessa
Vá pelos corpos sedentos

No deleite da ilusão
Farsante sonho não ser
Forjado momento vão

Sintonia c’o prazer
Faz da vida a solução   
Do melhor acontecer

(MEG) Santos, 25-7-12

domingo, 22 de julho de 2012

LXXXI - SIDERAL


SIDERAL

Espero por um verso e nada vem
Perdidas num pensar que é racional
Palavras nos sentidos que lhes dão...

E o corpo está distante e a mente aquém
Arrancados de si no essencial
Que é de cada um sua ilusão...

Agora o frágil sangue de uma flor
Ouvindo a solidão que é tão real
Regressa em leve tom sensorial
Listando um sentimento em cada cor...

E faz-se a inspiração artesanal
Vontade de um momento inquietador
Fomenta este soneto de esplendor
Tentando a poesia sideral!     

Miguel Eduardo Gonçalves