
MATIZES DO SILÊNCIO
Vestido de encarnado atenta o espaço
No tom profundo e casto de um bom vinho
Carinho em luz de um céu real e escasso
Pintura marchetada azul-marinho
Requinte de um ar leve traça o traço
Mistério do equinócio de um cadinho
Fusão aonde faz-se em modo lasso
Ensejo de um tufão um remoinho
Dilata-se o infinito em candeeiro
Contraste da existência c'o divino
Querendo confundir um sol brejeiro
E as nuvens como sombras que defino
São pautas da emoção de que me abeiro
Segredo impenetrável do destino
Miguel