quinta-feira, 5 de junho de 2014

CV - Prazer por Prazer-



Prazer por Prazer-

Nas paixões a razão se destempera
E a constância apalpada do momento
Por gemidos que ferve a ilustre fera
Rasga o véu que segura meu intento

Sassarica a insistência que acelera
Delicada a virilha e o assanhamento
Que se empinam em férvida atmosfera
A se impor no furor em que me invento

Tu, fortuna lasciva, és fértil saga
Rubra veste deitada em belo vício
Do apogeu que a tilinta e não se apaga

E à porta de um desejo vitalício
Exercita-se a amante que me flagra
Respaldado em sorriso tão factício

(Miguel Eduardo Gonçalves)


quarta-feira, 4 de junho de 2014

CIV - Por ti...



Por ti este cenário incrível
Premente derreter picante
Em que se exerce à brasa lenta
Sentido partilhado em jeitos

Libido habitual sensível
Presente do sussurro em diante
Que faz numa só voz e inventa
O espasmo a gotejar conceitos

E nesse haver que abarca o ser
Sem sela, em pelo a intimidade
Pueril no jogo se desdobra

Deseja até o amanhecer
Do orgasmo em toda saciedade
Prazer em ondas que se cobra

Miguel Eduardo Gonçalves

domingo, 25 de maio de 2014

CIII - Recado em versos


Recado em versos

Por um simples olhar encena belo intento
Testemunhando aos céus paixão que mais inflama
Certeiro ritual louvando o meu programa
E além, certo querer do qual jamais me isento

E o acorde vive ali de encanto e assanhamento
Desejo que fatal se faz, e como aclama
Entoa tentador tornando o mundo em chama
Aquele ardor maior distante do argumento

Quando fico de vez juiz que me consente             
Pela verdade só perdido livremente
Sou corpo que é poção do instante enamorado

E é nesse acontecer que surge reluzente
Mania que à mulher lindeza faz agrado
No verso que aqui vem deixar o seu recado

Miguel Eduardo Gonçalves



quarta-feira, 16 de abril de 2014

CII - Tu...

Tu...
Na grata sedução da luz que despe
E ao corpo sensação desperta vida
Certa maneira linda a mente veste
Por si esse momento é sem saída
Resume-se a um fato inconteste
Que faz a humana seiva assim parida
É gula arrebatando mil sabores
Da contenda à lide incendiada
Que a fúria do prazer por tais odores
Atira-se à loucura, não apaga
No despertado rito dos amores
Saber de pele que o desejo afaga
Segredo é desvendado enquanto fores
Eterno paraíso, a madrugada

(Miguel Eduardo Gonçalves)

terça-feira, 1 de abril de 2014

CI - AURORA

Desejo alucinar com teu carinho
Crescendo sob o olhar da inquietação
Furor que vai brotando da paixão
Tentando a sensação devagarinho

Sentido requintado de montão
Que a vida agora exulta e ao qual me alinho
Dizendo do alto astral em murmurinho
C’a força dos momentos como são

Poder especial, franco expoente
Retrata fielmente a forma bela
Da minha sentinela conivente

Perdida tal beleza no que apela
Do olhar de céu que olha puro e crente
Renasço verso vivo como ela


(Miguel Eduardo Gonçalves)

terça-feira, 18 de março de 2014

C - JOGO...

A viver de soslaio
No oásis do entretanto
Que vai causando espanto

E por ser necessário
Derrama onde me caio
Espasmo rouco e humano

Como sói ser em verso
Do amante brincalhão
Brado que faz emerso
O poder de um vulcão

Que a perfeição do nexo
Bandeira é da emoção
Na melodia do sexo

Jogo da excitação

(Miguel Eduardo Gonçalves)

XCIX - DIA DA MULHER


Paixão em flor, senão desabrochar
Precisa lida enfeita essa morada
Que é o mundo e se faz no esquadrinhar
Dos sonhos que o povoam como nada

Pedaço ensolarado em grande mar       
Encanto raro e graça refinada
Prazer intenso enquanto certo olhar
Deseja-o pra si  em pele intacta

Mulher, riqueza que preenche a ausência 
Das horas faz o que o amor escreve
A pleno, rituais em conivência

Luz alva sobre a nossa vida breve
Seu dia, pois, lhe tem por ambiência
Gentil refém, paixão que assim se deve


(Miguel Eduardo Gonçalves)  8-3-14

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

XCVIII - Prisão Domiciliar

Prisão Domiciliar

O medo paralisa a tentativa 
Mantendo em seu refúgio algum segredo
Esconde certa culpa ou verdade
Ninguém sabendo assim o seu defeito

A vida assim vivida em defensiva
Que o espírito encobre pelo enredo
É apenas o passado, a veleidade
Que até seus versos mentem por despeito

Maior ardor, alquímica redoma 
Certeza é o tempo que esvanece, mata
Com a mesma rapidez de cada instante

Decerto aqui o verso que me toma
Jamais pretenda ser aristocrata
Pois lhe é presente a vida angustiante

(Miguel Eduardo Gonçalves)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

XCVII - Curiosidade ao pé de mim.....

Curiosidade ao pé de mim
Sentida ao vento insaciável
Valia essa mulher por mil 
Tamanha a paixão expedida

E a grande festa assim-assim
Em corpo sublime, palpável
Nascida em ânsia e amor febril
A carne ardia sem saída 

Mistério de um desejo raro
Aquele que há de calar
A força da fome animal

E além, do primitivo faro
Saber-se esculpido no par
Enleio em verniz seminal

(Miguel Eduardo Gonçalves)

domingo, 13 de outubro de 2013

XCVI - NADA É COMO FOI...



Nada é como foi...

Ser vivo, o tempo se transforma... Vês?
Soberbo, como o excesso é alienador
É opinião, nada mais, posta em nudez
Quiçá mostrando à vida algum valor!

Passando a limpo escreve este pudor
Abstraído em profundo eu, talvez
Qual maneirismo intenso e aterrador

Que me enamora calmo e descortês

Divide-se em caráter travesti
Passado de um estado de aguardente
Envolto agora nesse frenesi...

Preciosa flor, intimidade ausente
Tu foste embora enquanto ainda é aqui
Que nada é como foi, de corpo ou mente!

(Miguel Eduardo Gonçalves)

terça-feira, 23 de julho de 2013

XCV - A debilidade da certeza-


A debilidade da certeza-

Quantos seres a imaginação produz
Belos corpos, anjos e demônios... só

Utopia, mito e obsessão por luz

Soluções que se replicam, dão-lhes nó.
 
É o desejo por resposta a que faz jus

O universo do propósito xodó

Paraíso de fantasmas que conduz
Qual disfarce protegido por filó.
 

Na verdade eu o digo, mais ninguém
Permitir-se acreditar, por ser um dom

Mais seduz a sensação que vem dalém...
 
Fanatismo espanta dúvidas, dá o tom

Argumenta a humanidade sem desdém

Confortante é esse crer que é tudo bom!


MEG

sábado, 18 de maio de 2013

XCIV - LUAL



LUAL

Através da palavra unicamente
Sente a vida, que afaga como beija
E o poema gerando essa beleza
É entreaberta janela ao que não mente!

O silêncio analisa a natureza
Da ilusão segredada que a desvende
E inspirado é em fazer-se confidente
Dispersando-se em letras como seja:

Dourado indisfarçável de um momento
Profundo em luz do céu mais imortal
Envolvendo a ternura do acalento...

Quando sinto esse enredo sem igual
Qual teatro que espreita o seu elenco
Lá no fundo me sinto num lual!

Miguel Eduardo Gonçalves




domingo, 5 de maio de 2013

XCIII - INSCRIÇÃO







INSCRIÇÃO


Atrás de um jeito especial
Dizê-lo faz com que a palavra
Adquira a forma instintual...
E nela a vida se celebra!

Não há noção do espacial
É só a mente que desbrava
O ar devido e pontual...
A cor do dia vem de quebra!

Luxúria esguia como chama
Que a súbita paixão domina
E o corpo todo cede a aclama...

Que força mágica qual sina
Transforma o ser num seu programa
Fazendo nada que a previna!

(Miguel Eduardo Gonçalves)

sábado, 30 de março de 2013

XCII - SOBREVIVENTES...


Comando ao sentimento dá à visão
Pensar criterioso e aprisionado
Que rouba a um coração apaixonado
A graça interessante da ilusão

Que é hora do furor indisfarçado
Querer que não se oculta em cada mão
Agindo pelos corpos que se dão
Trazido do infinito reclamado

Distante deste mundo corriqueiro
Caminho sem retorno recomeça
Separa-se de nós e volta à pressa

É dele que se alastra alvissareiro
No hipnótico encanto de um luzeiro
O que a vida em prazeres atravessa

(Miguel Eduardo Gonçalves)

domingo, 17 de março de 2013

XCI - ENCENAÇÃO



Encenação
Através da palavra unicamente
O que vejo no tempo, de bandeja
A gerar no poema essa beleza
É entreaberta janela ao que se expende...
O silêncio analisa a natureza
Toca breve o segredo que a desvende
Cordial no fazer-se confidente
E disperso nas letras como seja
Solidão sem disfarce nem remendo
Que entrará pelo espelho da memória
Envolvente ternura do acalento.
Quando sinto esse enredo que me olha
Qual teatro a espreitar o seu elenco
Lá no fundo, ambienta a minha hora!
Miguel Eduardo Gonçalves

domingo, 3 de março de 2013

XC - INFINITOS

Cor infinita corta o ar agora
Pequena flor constante dá o recado
É a beleza do mundo como aflora
Neste poema em versos que arrecado.

São sucessivas ondas, muito embora
A medo o adeus comum é desvendado
Recordação que vem e se demora
E sem disfarce torna-se um tratado.

E assim a duração do belo é a tua
E o pensamento voa enriquecido
Por um encanto que me apazigua...     

No som do mar a sensação do rito
Do céu a voz cadente em riso, nua
A natureza veste e eu pasmo fico!        

MEG

domingo, 17 de fevereiro de 2013

LXXXIX - TENTANDO A REALIDADE


TENTANDO A REALIDADE

Tentando a realidade diplomata
Espelha, lá de um sonho onde estão
Vontades com extrema excitação
Espasmo estilizado que arrebata    

O tempo vai passando não em vão
Afável por capricho autodidata
Tecendo em cada beijo que delata
A breve lucidez levada ao chão       

Perfil emocionante esse desejo
Presença que me faz ver o que vejo
Sequer sabe da hora comedida

Que ele só por si é já aviso
Atado a cada instante em que diviso
Sentido o bem supremo que é a vida

Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 19 de janeiro de 2013

LXXXVIII - VIDA MUSICAL


Qual faz a opinião quando acertada
Que à luz do bem adestra o pensamento
Também é no viver que me acalento
De tanto que faz bem e me arrecada

Repousa em cada hora o norteamento
Porque vivida à plenitude alçada
A lida como em tela matizada
De um mundo só formoso, cem por cento

Pois nesse natural que belo e forte
É o mundo acontecendo em meu desejo
Sorrindo-se por si como em cortejo

Que encontra a realidade e muita sorte
Acorde se fazendo como a elejo
Por mim cheia da graça de um arpejo

MEG

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ 2013!




FELIZ 2013!





Teremos muita sorte acaso a vida

Preencha-nos com a tal felicidade

Num riso acolhedor como guarida

Sarau da temporada à dignidade!



E a gente faça o instante ser partida

Distante do desejo da verdade

Que imerso num azul tão sem medida

Do céu a solidão inteira invade...



À força dos prazeres deste ano

Versado esperar aqui se faça

Em própria maravilha, soberano



Que assim a nossa parte vem de graça

Qual brilho do frescor de um mar praiano

Que poupa a realidade da ameaça.



Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 29 de dezembro de 2012

LXXXVI - CRIAÇÃO


CRIAÇÃO

Numa literatura enriquecida
Pelo charme em que a sorte faz morada
Inspira-se a palavra cometida
Pensando a ocasião a ser trilhada...
Leitura de um passeio pela vida
Ao infinito estende-se versada
E de excitada faz-se então sortida
Ampliada versão de uma esplanada!

É raio de beleza que se abisma
E cai na intuição de qualquer jeito
Fazendo delirar como sofisma...

E nesse grito mudo aqui desfeito
Desfilo pelo palco cada cisma
Na sombra ainda quente do meu pleito.
MEG